quantas vezes não julguei uma pessoa sem antes conhecê-la? muitas, as suficientes para chegar à conclusão que esse é um exercício viciado, que não é justo nem faz sentido deixarmo-nos levar por pré-conceitos, por atitudes descontextualizadas, por aparências físicas e afins. eu sei que até há quem tenha a habilidade de tirar um «raio-x» completo a um desconhecido e elaborar depois um perfil psicológico com base num mero soslaio, mas eu não tenho esse dom e acabo sempre por reconhecer que não faz sentido embirrar com X, desconfiar de Y ou maldizer W apenas porque há qualquer coisa nessa pessoa que me leva a precipitadas (e frequentemente erradas) ilações. eu própria colecciono antipatias por gente que nunca chegou a conhecer-me. gente que embirra comigo porque gosto de rir alto, porque tenho um nariz franzino ou simplesmente porque sim. e se repudio essas preconceitos nos outros, passei também a conter-me sempre que me sinto levada a fazer retratos precipitados ou rótulos infundados. vem isto a propósito da genial ideia do fotógrafo francês Christian Boltanski, que recolheu fotografias de criminosos e vítimas de crimes e, depois de as baralhar, não conseguiu identificar uns e outros. ou seja, sem contextualização e sem realmente conhecermos as pessoas não podemos saber, através dos seus rostos e expressões, quem são e o que são. no dia a dia tenho procurado fazer precisamente o mesmo, evitando julgamentos pouco ponderados. os outros nem sempre são quem parecem ser. e, melhores ou piores que nós, só poderemos saber quem os outros são se antes nos livrarmos dos nossos preconceitos.
*foto minha da obra Detective (1972), de Christian Bolstanski, Art Institute of Chicago
6 comentários:
Quem vê caras não vê corações, as aparências iludem - são tiradas realmente verdadeiras:) Boa reflexão.
Mas:) acredito na teoria da primeira impressão, da primeirissima,uma coisa mesmo ligeira, algo, porque ela vai bater certo mais tarde. às vezes mt mais tarde.
(AEfetivamente "À primeira")
Incrível !!! Acho que esse trabalho desse fotógrafo deve ter contribuído algo para a psicologia criminal... Todos diferentes todos iguais !!!!
eu também funciono muito com primeiras impressões, e já fui surpreendida vezes suficientes para saber que nem sempre fazem sentido. aliás, alguns dos meus grandes amigos de hoje foram pessoas que me causaram péssimas impressões e embirrações quando os conheci!...
Gostei mt do texto e da imagem... :)
Acho que muitas vezes, é mesmo esse o problema: termos muitas ideias pré-concebidas acerca das pessoas, baseadas em nada.
Não conhecia essa experiência do tal fotografo francês, mas achei pertinente. Quando as coisas estão fora do contexto, temos a mania de contextualizá-las ainda que, sem base nenhuma para isso. Aparências enganam, para o bem e para o mal. :)
Excelente texto Dulce.
Beijinho*
Não conhecia essa experiência, mas que bem! Já fui pessoa de funcionar muito com a minha "primeira impressão". Ainda as tenho, mas lá está: não me deixo guiar por elas, sou teimosa e tento provar-lhe que pode estar errada.
Muito bom post!
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