Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Pensar um bocadinho é que não


Ainda no âmbito desse fenómeno paranormal que foram os desastres com a bijuteria de duvidosa qualidade, um dia destes pulei de felicidade quando recebi um sms com o seguinte teor: "Boa tarde! A Pedra Dura do Colombo informa que o seu arranjo já se encontra na loja. Aguardamos a sua visita. Obrigada." Uma vez na loja, a empregada limitou-se a comunicar que o arranjo não foi possível porque a fábrica já não dispunha das peças necessárias. Perante a desilusão, ainda protestei com a falta de coerência da mensagem remetida, que me havia induzido em erro, levando-me a crer que teria MESMO havido arranjo.

Primeiro, uma pessoa fica maravilhada com a atenção e a diligência das moças e é tudo muito bonito: prometem o arranjo, mil sorrisinhos depois passam um papelinho em papel químico para ficarmos com uma 2.ª via do pedido à fábrica e, dias mais tarde, enviam sms a dar conta do arranjo. Só não estão é preparadas para o caso de não haver arranjo, isso tenha lá paciência, não vem previsto nos manuais de procedimentos internos!

Bem vistas as coisas, nem é de estranhar que as empregadas de uma loja não se tenham preocupado em modificar ligeiramente um texto minutado e adequá-lo ao caso concreto. É que cada vez mais as pessoas agem com automatismo tal, que parecem desprovidas do querer e do pensar. O problema é que, aos poucos, o tal automatismo diário passa a permear os relacionamentos com os outros. Mais do que um adorno sem arranjo, isto sim, é que verdadeiramente me aflige.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

à atenção dos que passam a vida a maçar-me com os saltos altos:

Se há quem consiga andar nestes apropriadamente denominados "Killer heels" fora da passerelle, faz sentido que ainda ponham em causa a minha inata (e louvável) aptidão para calcorrear as ruas de Lisboa com uns 12cm nos pés?!

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Las Vegas

Confirma-se que Las Vegas é o delírio para qualquer turista, não só para os viciados do costume, mas sobretudo para todos os que se encantam com a grandiosidade e originalidade dos edifícios, com os inúmeros espectáculos e atracções da cidade e seus hotéis, com a vida 24h sobre 24h, com a imensidão de néons que iluminam as noites, com a mescla de gente que se move ao longo da Strip, com a excentricidade que se respira e o tom de festa com que ali, inevitavelmente, se convive.

Todos temos uma pequena noção de como Vegas é, mais não seja aquela impressão que retiramos dos filmes, do CSI, das músicas que sobre ela versam (de Elvis a Kate Perry, passando pelas Cocteau Twins), mas estar lá é «outra coisa».

Perguntamo-nos como pôde uma cidade crescer tanto no meio do deserto, sem grandes recursos. Diz a história que enquanto nos demais estados se procurava proibir o jogo, ali legaliza-se a prática na década de 30. Surgem então os casinos, hotéis, luxuosas lojas e diversão non stop, cativando turistas de todos os cantos do mundo, e assim nasce a capital mundial do entretenimento.

Percorremos os muitos quilómetros da Strip de dia e de noite. Claro que à noite o ambiente é muito mais fascinante, mas as fotos que melhor mostram a moldura desta interminável avenida são as tiradas à luz do dia. À noite, a luz ofusca pessoas e máquina fotográfica. Aí, só se vislumbra a beleza da cidade com os próprios olhos, in loco. Surpreendente também é a vista quando descolamos, na despedida, e espreitamos pela janela, através da qual a cidade se mostra ainda mais magnificente, lá em baixo, imensurável, perdida entre areia e montanhas rochosas.

Porventura, o mais famoso símbolo de LV

Há uma estátua da Liberdade...

... e uma Torre Eiffel


... e não falta nem o Arco do Triunfo


Nova Iorque e Manhattan também marcam presença


Mandalay Bay

MGM

Monte Carlo

Bellagio [pormenor]
Caesars Palace [pormenor]
LV
LV & Tiffany




LV Boulevard

Downtown

Domingo, Outubro 25, 2009

Isto não se faz


Sim, a H&M é uma marca de vestuário que se preocupa com as mulheres de parco poder de compra e muito lhes agradecemos que venha convidando conceituados estilistas a desenhar um exclusivo para a marca, a preços mais convidativos que aqueles que os senhores que ditam a moda costumam praticar.

E depois de Karl Lagerfeld, Roberto Cavalli, Victor&Rolf, Stella MCcartney, entre outros, resolvem convidar Jimmy Choo, que é SÓ um dos estilistas de sapatos mais apreciado no mundo. A colecção chega já dia 14 de Novembro e há muita mulher que, como eu, vai riscando os dias na agenda, numa contagem descrescente.

Sucede que todo este entusiasmo acaba de ir por água abaixo, agora que vi toda a colecção que desenhou para nós, mulheres comuns, e que é inacreditavelmente pirosa. Por incrível que pareça, o melhor dali são os vestidos (não todos, mas dois ou três). Porque quanto a sapatos - que julgávamos ser a sua «especialidade» - tenho a dizer que o que criou é de uma enorme crueldade para todas as mulheres que sonharam calçar uns Jimmy Shoes elegantes e distintos.

Basta atentar à imagem acima e ver que os primeiros exemplares são dignos de ser calçados por um galã como o Nel Monteiro, os segundos parecem-me apropriados para uma sessão de sadomasoquismo, os terceiros assemelham-se aos que determinadas profissionais usam, e os últimos são uma alternativa ao colete reflector em caso de acidente.

Enfim, uma tristeza. Uma mulher espera ansiosamente por uma oportunidade destas e sai-lhe isto. Estou destroçada. Resta-me ir ali à Bata ou aos Calçados Guimarães descobrir qualquer coisinha mais engraçada. Dado o cenário, não me parece difícil.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

USA [On the road]

[Deserto e estrada deserta, ao amanhecer]

[Saindo do Nevada, junto a Hoover Dam]

[Atravessando o Arizona]

[Closed!!!]

[Confirma-se que não estamos perdidos...]

[... se bem que apetecia virar à direita, para LA, claro!]

[Breakfast at Iron Skillet, «como nos filmes»]

[Cabelos ao vento...]

[... e as mãos no volante??!]

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Ontem foi noite de...

Futebol de Causas@ DocLisboa 2009

Tempos houve em que podia preterir umas quantas aulas para passar tardes inteirinhas no anfiteatro da Culturgest, a devorar tudo quanto o Doclisboa oferecia. Depois veio o trabalho, as responsabilidades e, por isso, a selecção criteriosa das projecções compatíveis com a agenda. Já não dá para maratonas de documentários, mas a cada edição não deixo de assistir a pelo menos uma sessão. Com sorte, ainda vão mais umas duas, na extensão do festival ao Cine-Teatro de Alcobaça, de que aqui já falei e elogiei por diversas vezes.

Nesta edição do DocLisboa, que decorre até ao próximo dia 25, a escolha prendeu-se com a secção Foot, com uma projecção dedicada a um clube do qual sinto já ser parte, pese embora o eterno affair que mantenho com o clube da luz. Refiro-me à Académica de Coimbra, clube que por ter uma nobre história, escrita por protagonistas não menos nobres, torna merecido o trabalho de Ricardo Antunes Martins, autor de "Futebol de Causas", o documentário que hoje estreou - com casa cheia - no S. Jorge.

Para aqueles que consideram que futebol é desporto de massas e, por isso, desprovido de valores, recomendo que vejam como um clube de futebol e seus doutos intervenientes se bateram pela liberdade num árduo caminho trilhado até Abril de 74. A secção de futebol da Associação Académica de Coimbra pautou-se pela solidariedade com os estudantes de Coimbra e suas lutas académicas de 1962 e 1969, sendo que o ponto alto da Briosa enquanto correia de transmissão de ideiais revolucionários ocorreu na final da Taça de Portugal, no Jamor, em 69, num evento desportivo que viria a tornar-se o maior comício anti-ditatorial de então.

Centrando-se nos anos 50, e daí até Abril de 1974, o autor recolheu testemunhos dos protagonistas da luta estudantil e dos jogadores de então, homens que tornaram um clube de futebol ímpar na história e no exemplo de como usar a capacidade de mover massas em prol de causas.
Aos interessados, recomendo a repetição de "Futebol de Causas" no próximo sábado, às 19h, na sala 3 do S. Jorge ou que fiquem atentos à exibição da estação pública, parceira de produção. Ou podem sempre esperar pela comercialização. Entretando, cumpre espreitar aqui o trailer.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

A tarde

A tarde olha o poente e não desiste
Quer ainda
Uma réstia de sol, um riso aberto
Do namorado.
Sacramentado,
O corpo morre
Doutra maneira...
E as horas, numa astúcia derradeira,
Parecem distraídas (...)
* Miguel Torga, Diário VIII, 1976

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Grand Canyon

A entrada Sul do Grand Canyon National Park não deixa antever a enorme falha de terra. Ansiosos, temos ainda que percorrer umas boas milhas por entre uma imensidão de arvoredo - conduzindo com prudência, não vá um veado atravessar-se, como aconteceu connosco -, até que os nossos olhos se percam na imensidão de terra que dizem ser uma das sete maravilhas naturais do Mundo. Certo, é que nos arranca um ar embasbacado e um esbugalhar de olhos como poucas coisas na vida o proporcionam. É um cenário tão impressionante quanto indescritível.

Aos nosso olhos é um buraco imensurável, mas quem fez as contas garante que se extende por quase 500km e que a sua profundidade pode atingir os 1600m. Estamos no Arizona, mas do lado de lá está o Utah. Pelo meio, o rio Colorado, que fazendo jus ao ditado "água mole em pedra dura tanto dá até que fura" foi, ao longo dos milhares de anos, moldando o desfiladeiro. De um azul que contrasta com a pedra avermelhada, o seu leito só se avista em determinados pontos de observação.

Na impossibilidade de percorrer todo o desfiladeiro, procuramos os pontos de observação recomendados, sendo o mais impressionante o "Desert View Watchtower", onde subimos à pitoresca torre construída nos anos 30, mesmo ali à beira. A construção não destoa da paisagem e é o ponto mais alto da margem Sul do Parque (2300m), o único de onde vislumbramos o rio.


Embora a vontade fosse a de ficar por ali por mais tempo a respirar paz, ar puro e a encher o olho com esta dádiva da natureza, esperava-nos uma longa viagem de regresso. Ainda assim, foi suficiente para retermos na memória o impressionante desfiladeiro. Ficou foi o desejo de um dia, com mais tempo, espreitar as vistas a Norte e Oeste...




Terça-feira, Outubro 13, 2009

Pé ante Pé


Há quem tenha um fascínio por pés, há até quem tenha um fetiche por pés e também quem deles não goste e os esconda sempre que possível (esta última sou eu, apesar de adorar sapatos!). E ainda quem goste de tirar fotografias onde inclua os próprios pés ou até pés alheios, porque não? E para todos estes, há um cantinho na blogosfera (Pés & Lugares) que tem como protagonistas os pés, em casa, em viagem, no trabalho, numa festa, por onde quer que eles andem. Os meus já tiveram direito a aparecer por lá duas ou três vezes, agora fico à espera de ver os vossos!

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Diamonds are a girls best friend


Quem o apregoava por aí era a diva Marilyn, e eu estou prestes a convencer-me de que assim é. A julgar pela quantidade de colares que se me têm desfeito nos últimos dias, é de crer que se trata de um qualquer sinal divino a indicar-me que a salvação passa por deixar de comprar bijuteria. É que andar por aí de rabo para o ar a apanhar as infindáveis contas dos colares de 14,99 € com que me contento, não é exercício de que propriamente goste. Acho que está na hora de começar a desfazer-me das caixinhas e caixinhas de colarzinhos e pulseirinhas de má qualidade que teimo em guardar. E claro, está na hora de começar a olhar para as montras das joalherias com outros olhinhos!

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Como os funcionários públicos dão comigo em louca

Juro que bem tento não cair no cliché de dizer mal dos funcionários públicos só "porque sim". Até porque tenho uma irmã que trabalha (e muito) numa autarquia deste país e não vê meio de lhe ser reconhecido o mérito que tem e a entrega exemplar com que todos os dias (utéis e não utéis) se dedica ao seu trabalho. Adiante. Dizia eu que bem me esforço por não cair na generalização de criticar a função pública e de usá-la como bode expiatório só porque, como a generalidade dos portugueses, me sinto mal servida pelo Estado.

Sucede que esse meu esforço cai por terra sempre que tenho que lidar com essa estranha espécie que são os funcionários públicos. Por força do meu trabalho, vejo-me algumas vezes levada a ajudar clientes em assuntos que lhes cabiam a eles resolver mas que não conseguem, por falta de diligência dos funcionários do Estado e, sobretudo, porque lhes faltam algumas armas que se mostram necessárias usar com aquela gente.

Há dias, tentei estabelecer contacto com Direcção-Geral das Alfândegas e estive cerca de uma hora em espera, porque os sucessivos interlocutores alegavam sempre "que não era com eles" e passavam a chamada uns aos outros, sem pinga de consideração. Cheguei a falar com a mesma pessoa duas vezes e, nada que me surpreendesse, levei com um "então mas eu não lhe disse já que isso não era comigo?". Às tantas, quando lá encontraram a pessoa "certa" (que ali é a mesma coisa que dar com uma agulha no palheiro) e me deram o respectivo contacto, atende-me uma senhora cujos bons modos escasseavam e cuja mensagem foi suficientemente esclarecedora: "Agora estamos a almoçar, seja o que for, só depois das duas".

Hoje mesmo estive 40 minutos em espera para falar com determinado departamento da Câmara de Lisboa, para meu desespero e da telefonista que tentava, sem sucesso, passar o telefone às "técnicas que estão cheias de trabalho ao telefone". Até podia ser verdade, mas chegada a hora de me atenderem só sabiam dizer que "não era com elas", mesmo quando lhes relembrei que no anúncio do Diário da República era aquele exacto contacto o que se indicava para eventuais esclarecimentos. Até que me exigem a "coisa" por escrito, meu deus, que burocracia! Um email sem resposta (mesmo tendo rogado resposta rápida uma vez que o prazo da coisa assim o exigia) e uma tarde passada a ligar para lá, até que percebi que ainda nem sequer tinham lido o email e, tal era a fúria com que estava, lá coagi uma senhora a dar-me um número de telefone de alguém que me garantiu saber ajudar. Claro que tudo isso foi em vão, porque o senhor, mesmo sendo Director de Departamento ou raio que era, não sabia patavina! Ainda estou em choque, a perguntar-me que raio faz aquela gente, que nem sabe aquilo que exige aos munícipes!

Pois bem, não há volta a dar, a imagem depreciativa que tenho dos funcionários públicos teima e piorar de dia para dia e, razões, como bem vêem, não me faltam para isso. E assim dou por mim a desejar que tudo neste país fosse privatizado! Pronto, já um pouco mais calma concluo que bastaria aplicar as regras do privado no sector público e já seria um grande avanço...

Terça-feira, Outubro 06, 2009

do sonho ao pesadelo (em menos de um triz)


um céu escuro como carvão e uma chuva que cai desnorteada sobre o manto de névoa que se estende pela cidade. é assim que lisboa me recebe nesta manhã de regresso de um sonho bom que agora só perdura na memória. na minha, na dele e na da máquina fotográfica. já antevia que o regresso à realidade tivesse contornos menos cor-de-rosa mas este cenário deu-lhe um tom de verdadeiro pesadelo. a juntar a isso, um interminável percurso de táxi na sempre caótica segunda-circular, um contra-relógio até ao emprego, uma dor de cabeça e um peso nas pálpebras que só visto. e agora uma secretária apinhada de trabalho, um café que não chega para dar conta do recado e uma tarde daquelas em que só apetece escorregar por entre os lençóis, de comando na mão e cházinho na outra. vou fechar os olhos por uns instantes e imaginar que sim, que se fizer muita força consigo regressar ao patamar do sonho e esquecer esta cinzenta realidade em que acabo de mergulhar.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Volto já

E não, (ainda) não vou casar.

À terceira é de vez (ou não)

Tenho sérias dúvidas quanto à fiabilidade deste dito popular. Há dias marquei uma consulta de especialidade numa Clínica e, chegado o dia e a hora, marquei presença. Pois bem, as senhoras do guichet (adoro esta palavra) fizeram questão de me dar entender que ia pagar um pequeno balurdiozinho pela coisa, pese embora o seguro de saúde. Estranhei e liguei para a seguradora, onde me comunicaram que a minha apólice não cobria ambulatório no país, apenas e só numa determinada região de Espanha. Como disse?? Tentei explicar por todas as formas e feitios que tal coisa não fazia qualquer sentido, mas de chamada em chamada, todos os operadores me confirmavam o mesmo. Uma hora volvida, o médico já tinha ido embora.

Nos dias seguintes tratei de dar o devido raspanete à seguradora e, resolvida a situação, marco nova consulta. No dia X, a caminho da consulta... pneu furado! Ligo a avisar do atraso, resolve-se o azar e... chegada lá, o médico já havia saído para almoço. Ao que parece, o atraso não lhes foi devidamente comunicado pelo call center... Ora bem, partindo do tal pressuposto de que "não há duas sem três" ou "à terceira é de vez", marco nova consulta. Bem, e já que havia de ali deslocar-me pela terceira vez, aproveito e marco uma outra, de diferente especialidade.

Pois bem, hoje quando fui chamada ao gabinete do Dr., «esqueceram-se» de me avisar que se tratava da segunda consulta, uma vez que a outra estava atrasada... Resultado: entusiasmada, lá fui expondo a minha situação com a pormenorização que entendi adequada, não reparando na expressão do médico. O Sr. Dr. entendeu o problema, «que tinha solução» mas que.... não era bem aquela especialidade médica que o resolvia. Para terem uma noção, foi mais ao menos tão embaraçoso como descrever uma garganta inflamada a um ortopedista. Escusado dizer como me senti quando percebi o equívoco... Ao que parece, talvez à quarta!