O atraso de hora e meia desmotivava alguns dos presentes (eu incluída!), mas mal se avistou os músicos num dos topos do estádio a energia voltou a dar sinais de si. Enquanto atravessavam o estádio por entre a multidão (corajosos!), os quase 40 mil presentes seguiam-nos com os olhos, ofuscados com o holofote das estrelas. Chegados ao palco, a festa logo começou e só 3 horas depois haveria de terminar.
Não sou o único foi dos primeiros temas a ouvir-se e, como é um dos que mais gosto - talvez por ser aquele que há mais tempo habita a minha memória musical - entoei-o com alguma emoção, junatamente com a multidão. Mais a frente haveria de ser a voz de Camané a encantar-me, cantando "o Homem do Leme" mais sentido que já ouvi (perdoem-me os seus cantautores!).
O rock mais pesado estava guardado para o fim e a Chuva Dissolvente (a minha favorita), os Contentores (a minha segunda favorita), À minha maneira, Ai se ele cai, Casinha e Maria, fecharam a noite com chave de ouro, entre um vai-vem de encores e um público insaciável. Ah, e fogo de artíficio, que a ocasião não era para menos. Que venham mais 30!




A ouvir, 






A cerca de 10km de El Escorial encontra-se outra obra imponente perdida no meio do verde. É o Valle de los Caídos, um monumento construído por ordem de Franco em memória dos caídos na guerra civil. A Basílica e a cruz de 150 metros que a encima são ainda hoje uma obra polémica. Embora abençoado pelo Papa João Paulo II, há quem não esqueça que o Valle dos los Caídos é um projecto pessoal de Franco, que ali jaz logo atrás do altar-mor da Basílica. A majestosa construção escavada ao longo da rocha impõe respeito. A nave central, de largas proporções, está ladeada de enormes tapeçarias representando várias cenas do livro do Apocalipse. Ao fundo, a enorme cúpula (42 m) reproduz em mosaico uma outra cena bíblica. Junto ao altar-mor encontra-se a lápide branca de Francisco Franco e, do lado oposto, a de [Antonio Jose] Primo de Rivera (não o ditador, antes o seu filho, herói fascista). Com mais ou menos apreço por estes dois nomes da história de Espanha, parece-me que a visita ao monumento vale sobretudo pela magnífica obra que num sítio tão ermo se fez.


