Sexta-feira, Julho 31, 2009

Vou a banhos

Estou a contar os minutos que faltam para o mar beijar os meus pezinhos, que há muito não vislumbram água salgada e areia fina. O ano passado só tiveram direito a uma tarde de praia mas este ano o cenário parece melhorar. Já lá vão dois dias de piscina em boa companhia, a preguiçar na espreguiçadeira, entre um sol ardente, muito protector solar, mergulhos a medo que a água é fria, a disputa pela bóia insuflável e, last but not least, deleitosos repastos ao fim do dia. Dá a impressão que são férias e só quando o sol avermelhado se põe ao fim da tarde de domingo dou por mim a regressar à penosa realidade. São fins de semana aproveitados ao máximo, já que não dá para usufruir de mais. Está aí à porta mais um. Vou a banhos, até já.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Chapéus há muitos

Ou não. Para encontrar um precisei de calcorrear de lés-a-lés um daqueles centros comerciais que se arroga o maior em tamanho e em número de lojas. O drama não é de agora. Em tempos já me havia aqui lamentado do suplício que é comprar alguma coisa que o mercado entende que é extemporânea. Nas lojas já é inverno. E eu a pensar que afinal o mau tempo de que abaixo me lamentei só por mim tinha passado...
Pois bem, o sol bem pode raiar com toda a sua força que os comerciantes têm para si que já não é tempo de vender chapéus de sol. Os chapéus de chuva habitam já algumas prateleiras e a pergunta que repeti infinitas vezes causou estranheza nos rostos dos lojistas, como se as gentes que só agora vão poder gozar de uns dias de praia não fossem merecedoras de consideração. Finalmente lá descobri um exemplar nos confins de uma loja, o qual - sorte grande! - muito me agradava. O que já não me agradou foi o preço, pois para a senhora da loja, tal como para mim, ainda é verão, logo, nada de saldos ou promoções...

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Dias Assim

eu sei que só hoje é que a chuva molhou a terra e o cinzento resolveu cobrir o céu, mas para mim é inverno há um par de dias. veio de repente, sem direito a previsão, pincelando os meus dias com um tom pardacento. nem o sol a pique me incomodou porque sobre mim choviam dúvidas, trovejavam receios e sopravam ventos de ansiedade. sim, os vendavais da vida sopram quando menos esperamos e, desprevenidos, muitas vezes deixamo-nos vencer pelo medo. há outras em que nos agarramos com todas as forças ao que temos e, pés bem firmes, não há tempestade que nos (de)mova. felizmente, hoje chove lá fora mas aqui dentro brilha um sol pequenino. e tudo aponta para que não tarda nada desponte por aí um arco-íris.

Quinta-feira, Julho 16, 2009


"Todos julgam segundo a aparência, ninguém segundo a essência"

Parece frase dita por uma qualquer menina com faixa e título de Miss, mas não é. É do alemão Friedrich Von Schiller e por muito que vos soe a cliché, todos sabemos que é a verdade, verdadinha.

Sábado, Julho 11, 2009

Não me digam nada, sff

Uma pessoa anda ansiosa a contar os dias que faltam, faz as malas, planeia o almoço na esplanada mais chic da Invicta, passa a véspera a cantarolar Precious, It's no good e Just cant get enough ao mesmo tempo que emite um parecer jurídico sobre a abertura e modo de gestão de contingentes pautais comunitários no sector da carne de aves de capoeira originária do Brasil, da Tailândia e de outros países terceiros, ... e depois é isto?! Mariquinhas, é o que o tipo é!

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Ontem foi noite de...

Joshua Redman Trio

Nos últimos dias tenho estado à beira de uma agradável overdose de jazz. Depois do Estoril Jazz 2009, ontem foi a primeira noite do Cool Jazz Fest '09, com Joshua Redman a inaugurar o festival que nos próximos dias vai saltitar entre a Cidadela e o Hipódromo de Cascais, o (bonito) Parque Marechal Carmona naquela mesma cidade e ainda pelo Jardim do Cerco, em Mafra.

Confesso que desconhecia em absoluto a existência do saxofonista - que já tocou com nomes como Stevie Wonder, Joe Lovano, BB King, Herbie Hancock, Brad Meldhau e até The Rolling Stones - mas, ao ouvir três ou quatro músicas no Youtube, não tive dúvidas de que queria ir ao concerto. Conclusão: de todos, foi o que mais gostei. Talvez o contexto mais informal (que o Auditório do Centro de Congressos do Estoril) tenha ajudado à beleza do concerto, numa Cidadela a meia luz e a nortada agreste que, em Julho, inevitavelmente, sopra em Cascais, a dar um certo tom de melancolia ao espectáculo.

Joshua Redman toca saxofone com uma elegância que, desconfio, seduz até o ser musicalmente mais insensível. No clarinete, as coisas não mudam muito de figura e Redman deixa-nos a todos extasiados com os sons que dali consegue extrair. Reuben Rogers acompanha-o com o contrabaixo. O terceiro elemento, Gregory Hutchinson usa e abusa da bateria, num ritmo incandescente. O resultado é meio jazz, meio funk, uma mescla de influências que se traduzem em fabulosas sonoridades. Obrigatório ouvir. Aqui, e também aqui.

So what?

Um daqueles estudos que para nada servem - mas cujos resultados gostamos sempre de saber - diz que, durante toda a sua vida, uma mulher perde (perde?!!) cerca de 287 dias a escolher a roupa que veste. Sim, aproximadamente um ano. Mais conclui que os sábados e as sexta-feiras à noite são os piores dias de indecisão.

E então? Nada que nos surpreenda. Gostamos de nos pôr bonitas, gostamos de nos adequar a cada ocasião, gostamos de agradar a nós próprias, às outras e, claro, aos outros. Que mal tem isso? E se demoramos uma eternidade a vestir, maquilhar, pentear, perfumar, etc., é porque damos por muito bem empregue esse tempo. E depois, convenhamos, não são só as mulheres que passam uma vida inteira entre o guarda-roupa e o espelho. Aliás, desconfio que haverá por aí muito homem que passa mais tempo a cuidar-se e a escolher a fatiota que a maioria das mulheres.

Acresce que o guarda-roupa feminino tem um sem fim de pormenores que um indíviduo do sexo masculino nem sonha. O que, regra geral, o tal indivíduo do sexo masculino sabe, é refilar à porta de casa pela demora adicional de 3 minutos e 48 segundos. Esquecem-se eles que podem enfiar uma camisa ou um pull over e umas quaisquer calças, sacudir o cabelo para o lado e... voilá! estão prontos para uma infinidade de ocasiões.

Não só é injusto que se tenham debruçado, apenas e só na mulher, e no tempo que esta dispende nessa árdua tarefa que é escolher a toilette para cada dia - deixando gentilmente os senhores de parte - como é redutor considerar que a Mulher é um ser imensamente vaidoso porque se preocupa com aquilo que veste. Como se a roupa fosse uma coisa dispensável e como se a forma como nos apresentamos não dissesse muito sobre nós.

Por isso, da próxima vez que uma mulher lhe provocar um atraso ou chegar com atraso, que tal olhar para ela de cima a baixo e perceber o porquê do mesmo? É que, a dever-se o atraso ao tempo que demorou a escolher a indumentária, o atraso pode muito bem ser-lhe imputado. Sim, a si!

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Sweet about me

Quais cerejas, qual quê! Gomas. Umas atrás das outras, quase sem saborear, num vício sem fim. Dizem que faz bem ao cabelo e às unhas. Valha-nos isso. Mas, bem vistas as coisas, acho que não é mais do que um pretexto para as consumirmos com tanta avidez quanto as criancinhas. E assim se passou uma [doce] tarde.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Jazz num dia de Verão

Depois de Chick Corea e o seu piano, a passada sexta feira foi, ainda na senda do Estoril Jazz, dedicada a David Murray e ao seu saxofone (intercalado com clarinete) e, já no domingo, o festival encerrou com Christian McBride e o seu contrabaixo. Dois bons espectáculos para conhecer mais sobre o mundo do jazz.

Murray trouxe consigo um Black Saint Quartet cheio de energia. Mas o mais enérgico e resistente às maratonas de solos foi mesmo o célebre saxofonista. Foi impressionante a sua capacidade de resistência nos longos minutos em que hipnotizava os presentes com o seu desempenho. O concerto terminou com um harmonioso «Yes We Can». Com que mais poderia ser? O jazz parece caminhar passo a passo com o sonho americano.

Já no domingo subiu ao palco um matulão de seu nome Christian McBride, que acabou por se revelar não só um artista impressionante, como impressionantemente afável, coisa que o seu respeitável porte jamais deixaria antever. E se há artistas que não têm qualquer receio em deixar transparecer o gozo com que actuam, McBride é um deles. Um senhor, sempre a comunicar com o público e com os músicos, de sorriso em riste. No contrabaixo revelou-se brilhante e brilhar com um instrumento daqueles não é coisa fácil.

Quem disputou taco-a-taco pelo protagonismo em palco foi o baterista que o acompanhava, Ulysses Owen Junior. Destacou-se pela sua resistência num duelo entre contrabaixo e bateria e pela sua genialidade na dança entre baquetas e pratos. No fim, todos eles mostraram que a simpatia não se resume ao palco e andaram por entre o público a distribuir autógrafos no seu novo álbum, Kind of Brown. A escutar.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

O Lado B


O título deste post bem podia ser o da habitual rubrica "Memórias... ou coisas que me fazem sentir vetusta", mas acabei por recorrer ao título de uma das músicas que mais gosto da "Companhia da Índias" de Rui Reininho e também a uma pitoresca experiência que recentemente a BBC proporcionou a um adolescente de 13 anos: deu-lhe o primeiro modelo do Walkman e só três dias depois o jovem se apercebeu que a cassete tinha dois lados...

Previsível. O lado B da cassete só mora na memória de gente que tenha nascido antes da década de 90. Aquelas caixas plásticas que habitavam as prateleiras lá da sala, ao lado das gigantescas aparelhagens, são um objecto desconhecido para aqueles que hoje vibram com o ipod e seus semelhantes. Foram revolucionárias na década de 60, quando passaram a permitir a gravação e reprodução de som e ainda hoje são uma marca indelével da nossa juventude.

A cassete (ou K7, uma abreviatura que só nós, nascidos antes dos 90..., descortinamos) que mais me marcou não foi a de um grupo ou cantor em especial. Era uma BASF gravada pela irmã primogénita, cujo lado B iniciava com uma mítica música que ainda hoje ecoa na minha memória - Money, dos Pink Floyd. Aquelas caixas registadoras e as respectivas moedas fizeram-se ouvir centenas e centenas de vezes, até ao dia em que a fita já não lia (dia esse em que devo ter levado um sermão, coisa que a memória não se encarregou, e bem, de guardar). O encanto das cassetes também passava pela sua efemeridade. Sabíamos bem que quanto mais as ouvíamos e quanto mais as reutilizávamos (gravando músicas sobre músicas), o som se ia deteriorando até ao dia em que era impossível ouvir o que quer que fosse. Aí, dava-nos um gozo tremendo puxar aquelas fitas todas para fora, esventrando a velhinha cassete, como que um ritual fúnebre que se mostrava inevitável ao constatar o seu fim.

Reconheçamos: todos nós fomos auto-didactas na gravação de cassetes, especialmente naqueles mixs que fazíamos escolhendo as músicas favoritas que passavam na rádio. Mas gravar as músicas que passavam na rádio implicava começar a gravar no tempo certo e terminar antes que o locutor abrisse a boca ou antes que os anúncios passassem, coisa que requeria muita concentração e perspicácia. E sorte também. Era preciso muito afinco até que a música ficasse perfeita, o que se traduzia num ritual de combinação entre as patilhas do Play, do Forward, do Rewind, do Pause e do Stop. Definitivamente, aquilo não era para todos. Muito menos para os jovens melómanos de hoje, que gozam de facilidades com que nós nunca sonharíamos e que jamais saberão o trabalhão que dá enrolar a fitas das cassetes com esferográficas.

A portabilidade da música só chegou com o Walkman da Sony, que acaba de comemorar 30 aninhos. Um tijolo que custava um balúrdio mas a cujas funcionalidades não resistíamos. Devo ter pedinchado por um durante uns bons anos e, se não estou em erro, quando por fim me agraciaram com o aparelho, já o CD começava a dar que falar... De qualquer das formas, foi bem-vindo. Ainda havia muita cassete à venda nas discotecas de então. Hoje, são obsoletas e não as encontramos em lado algum. Só mesmo aquelas que resistiram ao passar do tempo e que por isso guardamos religiosamente numa caixa. De vez em quando dá vontade de ir lá buscá-las e de recuperar sonoridades de outrora. Sucede que se o jovem não descobria o lado B, a nós não se nos afigura fácil encontrar aparelhos que ainda tenham deck's de leituras...