Quioto é muito mais que uma cidade que empresta o nome a um protocolo ambiental. Está longe de ser uma cidade bonita, mas possui os mais belos templos que visitei por terras nipónicas. E verde, desse só existem sinais em redor da cidade, junto às montanhas que a emolduram... A cidade é triste e pardacenta, mas vale-lhe o património perdido em cada recanto. Dizem que possui mais de 2000 templos, uns ainda mejestosos, outros engolidos pela construção urbana.
O Kinkakuji Temple - o Templo Dourado - é com certeza a mais visitada de todas as atracções da cidade, pela impressionante cor dourada a reluzir no epicentro de um jardim zen, de águas límpidas e de um sossego que contagia.
Do outro lado da cidade e igualmente imperdível encontra-se o Kiyomizu-dera (nas fotos), que se ergue lá do alto, imponente. É também considerado património da Humanidade, a par do Templo Dourado. Muito movimentado quer por turistas, quer por locais, o colorido deste templo em claro constraste com a cidade faz-nos viver uma outra dimensão.
Por aqui cheira a incenso, ouvem-se preces e pássaros a chilrar, fazem-se vénias e gestos que não descortino, sonha-se ao por do sol, purificam-se as almas, disparam flashes sem fim, louva-se o deus do amor, perde-se a conta aos objectos religiosos e perdemo-nos junto às águas frias que correm por ali abaixo.
De volta ao centro da cidade rebenta a bolha de paz de que nos revestimos nos locais sagrados. Resta pouca arquitectura que se possa apreciar. À semelhança de Tóquio, há uma torre gigante a despontar da cidade, contrastando com a construção relativamente baixa da cidade. Mesmo em frente ergueu-se a futurista Kyoto Station, em aço e vidro, que não só destina apenas a servir as linhas ferroviárias e metropolitanas, albergando um hotel, um teatro, um centro comercial, uma espécie de casino, restaurantes e vários departamentos governamentais.
E é só por isso que Quioto sabe a pouco. Templos fora, pouco mais resta para apreciar. Claro que se a incursão se cingir ao património histórico-religioso o mais provável é que não haja tempo para descobrir todos os tesouros que há séculos por ali andam perdidos...


