Sexta-feira, Outubro 31, 2008

Recomenda-se


Os leitores mais atentos já terão reparado que de há uns tempos para cá mora na barra lateral deste blog uma nova secção, denominada "à cabeceira", que revela o livro que de momento habita a minha mesa de cabeceira.

Pois bem, até ontem esse livro foi "As velas ardem até ao fim", do húngaro Sandór Marai, autor que em vida foi substimado mas que, postumamente, tem sido um sucesso pelo Mundo fora. E não é razão para menos. Neste romance delicado, em pouco mais que centena e meia de páginas, o autor verte numa escrita rica em pormenores ( bem diz ele a dada altura que "só através dos pormenores podemos perceber o essencial"...) as memórias de três vidas que se cruzaram e logo se separaram, ficando, contudo, eternamente unidos.

O romance gira em torno da nobreza da amizade e da imprevisibilidade das paixões. A amizade e a paixão que ditaram um afastamento mas que, quarenta e um anos depois, ditam também um reencontro, à luz das velas e à luz de um monólogo que comove e faz pensar o mais impassível dos seres.

Terça-feira, Outubro 28, 2008

Sevilla Memories by Pedro Libório

«A saudade não está na distância das coisas, mas numa súbita fractura de nós, num quebrar de alma em que todas as coisas se afundam» Vergílio Ferreira

Quinta-feira, Outubro 23, 2008

Que grande melão...!


Devo ter lido algures numa crítica de cinema - daquelas em que não se deve mesmo confiar - que "O sabor da Melancia" de Ming Liang Tsai era um filme a não perder. Pois bem, ontem troquei um qualquer blockbuster por aquela película e o resultado foi catastrófico, pesadelos inclusivé. O filme oscila entre gravações de filme porno, interpretações musicais ridículas q.b, enfadonhos e longos planos sem falas (!!), terminando num plano tão macabro quanto indescritível, que não aconselho a gente sensível...
A intenção, consta, era filmar solidão, desejo e a busca do amor. Mas para tal será necessário reduzir ao máximo a comunicação, abusar das metáforas sexuais, pôr bailarinas a apalpar a estátua de Chiang Kai-Shek e ultrajar um fruto tão estético quanto saboroso?
Apetece-me injuriar eternamente estes cinéfilos obcecados por tudo quanto seja kitsch e que consideraram o lixo uma obra-prima! E apetece-me processá-los, a par do realizador, pelos danos irreversíveis!...
É que dúvido muito que a partir de hoje consiga olhar para aquele fruto sem que se me assome uma qualquer cena do filme... o suficiente para não conseguir dar uma trincadinha numa melancia por muitos e longos anos..!

Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Lacrimosa - sem lágrimas, nem remorsos


Cai a noite em Barcelona, num ameno sábado de Outono. Descemos a interminável Av. Diagunal e, atentos à movimentação, lá avistamos uns personagens todos vestidos de negro. «É aqui, só pode ser aqui.» Procuramos a "Bikini". Os seguranças olham-nos com curiosidade e com idêntica curiosidade descemos túnel abaixo até encontrar um aglomerado de gente ansiosa. Cabelos compridos, muitos deles ruivos, tshirts estampadas, trajes negros, algum branco à mistura, muitas rendas, tule e carregada maquillage. E, finalmente, surge a inevitável pergunta: "que faço eu aqui?!!"

Recuemos uns três meses. Ainda embriagada pelo memorável concerto de Bruce Springsteen no Santiago Barnabéu, pesquisava bons concertos pela Península Ibérica e deparo-me com a tour dos Lacrimosa por Espanha. Sabendo que o Gonçalo é fã, ocorreu-me pô-lo a par, longe de prever nas consequências desta minha atenção. Pois bem, há coisa de duas semanas atrás surge o convite, sem direito a recusa pois já havia bilhetes e viagem planeada. O desafio foi, a mais de superado, de bom grado!

Regressando à discoteca 'Bikini' no passado sábado, Tilo Wolff e Anne Nurmi entraram pontualmente em palco com mais quatro elementos. Na escura sala estavam cerca de seiscentos fãs - desconfio que a única que ali estava por curiosidade, seria eu - e aos primeiros arranques a plateia encheu-se de ritmo. Torna-se impossível impedir que o nosso corpo não acompanhe aqueles movimentos, porque na sua maioria as músicas são muito dançáveis. Uma ou outra mais melancólica, mas com refrões que ficam inevitavelmente no ouvido. Volvidos alguns dias, ainda ecoa na minha cabeça "Der morgen danach", talvez a minha preferida de todo o repertório do concerto. Entre o alemão e o inglês, Lacrimosa soa a boa música e a excelentes interpretações. O vocalista é também uma espécie de maestro, como que a gerir os compassos com a dança das suas mãos. E 'maestro' não é aqui descabido, porque apesar do estilo da banda ser denominado de "Gothic Rock", o que ali não falta é tonalidades a roçar a música clássica. O suficiente para que umespectador que não aprecie o género, ainda assim aprecie (e muito) o concerto.

O encore foi um crescendo de emoções, já que selecccionaram os êxitos para se despedirem dos fãs. Apesar de hit, terminaram com a música que menos gostei - Copycat - mais hard que as demais. E quando as luzes se acenderam a confirmar que já acabara, dei por mim animadíssima, com vontade de ver e ouvir mais. Bem, e dei também por mim a destoar entre o público, de jeans, camisa branca e casaco cor de laranja (!!). Fiz um esforço e ainda alcançei duas ou três presenças insólitas a par da minha - um tipo com uma camisa havaiana e uma mulher de vestidinho às cerejas. Uff!!

Sexta-feira, Outubro 17, 2008

Servir bem há pouco quem... [2nd round]

Bem sei que recentemente debruçei-me sobre o tema e que alguns leitores se queixam deste meu frequente tom azedo. Mas que posso eu fazer, se no quotidiano me deparo com situações mais agres que doces?!
Desta feita, cheguei à conclusão que há uma estranha e inegável relação entre os afamados estabelecimentos da Capital e o seu mau serviço. Então no que toca a cafés, a coisa é arrepiante. Parece-me que quanto mais fama e renome tem, pior é.
Na Brasileira, a menos que se tenha na cara aquela estampa a dizer "Elite" ou, vá lá, a menos que se seja turista com evidentes recursos, a coisa é desesperante. Um café (a rondar 1,5 €!) pode demorar qualquer coisa como 45m!! Digo-o sem qualquer ponta de exagero, uma vez que passei pela experiência nem há dois dias, sendo que o caso se agrava tendo em conta os pedintes e vendedores ambulantes que insistentemente nos vão abordando...!
Ali mesmo ao lado, na Bénard, a coisa não é muito diferente. Valha-lhes os croissants de chocolate - os melhores do Mundo! - porque se não fossem estes, a mim não me punham a vista em cima.
A Suíça não é muito diferente. Ali a distinção do serviço prestado tem como critério a nacionalidade. Tudo quanto é autóctene tem para si reservado um atendimento moroso, de trombil em riste e de "despacha-te lá que há muito turista endinheirado a querer desembolsar mais do que tu".
Lá para os lados da Av. Roma, a Mexicana e a Biarritz têm muita reputação mas para o Cliente está reservado tudo menos atenção. Os produtos de qualidade convencem, mesmo a preços exorbitantes. O que não convence mesmo é o mau atendimento.
E o Galeto, a Versailles, a Tentadora, o Canas, idem idem aspas aspas.
Será que ninguém ali percebe que não lhes basta o nome e que há que fazer jus à reputação de que gozam?

Terça-feira, Outubro 14, 2008

2 anos de agre&doce

Com a azáfama dos últimos dias caiu em esquecimento o aniversário do agre&doce, que no passado dia seis perfez dois anos.
Isso mesmo: há dois anos que a minha escrita agridoce é passível de degustação neste mui modesto estabelecimento sito nesta imensurável blogosfera. Dois anos de vida parece-me francamente bom sinal, pese embora reconheça que estamos encerrados muitos dias por ano... Oxalá fosse possível cozinhar mais ideias, saborear mais pensamentos, temperar desabafos, provar dissertações, etc.
Quanto ao menu, esse nem sempre agrada a todos, bem sei. Mas ainda assim, nunca ninguém se queixou de má digestão. :) Espero por isso sobreviver à crise que se faz sentir e continuar a servir com dedicação os estimados Clientes, quer os habitués, quer os demais. Até porque a Clientela aqui é do melhor! E a todos vós, o meu obrigada..!

Terça-feira, Outubro 07, 2008

De Parabéns


Está Sérgio Carolino, músico alcobacense. Folheava eu a revista Única do último Expresso na solarenga tarde de domingo e deparo-me com uma cara conhecida, de tuba em riste. O artigo falava de "Dez portugueses muito à frente", jovens que vão dando cartas nas mais diversas áreas - Design, Teatro, Arquitectura, Biologia, etc. etc.. - e quando chego à Música, o tubista de Alcobaça vinha ali referenciado como uma das dez jovens promessas portuguesas.
Desde os 11 anos na música, é hoje tuba principal da Orquestra Nacional do Porto e cara da prestigiada Yamaha, contando com um invejável currículo na área e cabendo-lhe já o cognome (porventura, adequado) de"o melhor tubista português". Lá fora já foi denominado de "Tuba Phenomen", "Tuba Guru" e "Tuba Meister".
Por cá já trabalhou com nomes como Mário Laginha, Bernardo Sassetti, António Victorino d'Almeida (que compôs propositadamente para Sérgio). Cumpre dizer que faz parte de um geração de talentosos músicos alcobacenses -Mário Marques, Hugo Trindade, entre outros... - que comprovam que Alcobaça é, além de terra de paixão, terra fértil em artistas. Oxalá os seus talentos continuem a ser (merecidamente) reconhecidos e valorizados por este país e Mundo fora.