Domingo, Setembro 28, 2008

Missão Possível

Não, não hibernei. Ando é (muito!) ocupada com isto. Um projecto que há muito delineava e que está hoje a um passo de se concretizar. Com ou sem adversários, com ou sem consensos, certa é a muita determinação que me move. E sobretudo, a coerência e a livre vontade, longe de querer por querer, longe de dar a cara só porque sim.

Encaro a política como uma missão, despojada de interesse próprio e empenhada no bem comum. Bem sei que - quer aqui, quer no plano pessoal - ter escrúpulos e ser íntegra nem sempre compensa. Mas quem corre por gosto não cansa e se por vezes receio que a minha actividade cívica seja em vão, olho para quem de braços cruzados contempla o seu umbigo e logo se esvai tal ideia.

Sim, estou na política com um interesse: o interesse na causa pública, jamais na causa própria - disse-o aqui há tempos e di-lo-ei sempre. Ao longo dos anos, e dentro do que me foi possível, contribuí para melhorar o que me rodeia. Do associativismo e do voluntariado aos tempos de Secundária em que integrei AE's, da militância partidária à experiência autárquica, fui crescendo a acreditar que a minha mão e a minha voz podem fazer a diferença quando se juntam a outras mãos e a outras vozes.

Este passo que ora se impõe prende-se sobretudo com a vontade de marcar a diferença, cônscia de que os jovens merecem mais atenção e muito podem surpreender com a sua irreverência e as suas capacidades. Temos defeitos, muitos..., mas também temos virtudes. E, sobretudo, temos direito a pronunciarmo-nos sobre o que nos rodeia, sobre o Mundo no qual crescemos, já que -pensando bem - somos nós quem habitará a casa que ora se constrói...

Sábado, Setembro 27, 2008

Caixinha mágica, ou direi, trágica...?


Tenho hábitos matinais que a priori diria que nada nem ninguém, em tempo algum, mos faria mudar. Um deles passa pela extrema necessidade em conectar-me com o mundo lá fora sempre que desperto. Não fosse assim, e o dia começava muito mal. Faço-o, inevitavelmente, todas as manhãs ora via rádio (Comercial), ora via tv (SIC Notícias).

Contudo, começo a ponderar esta minha mania de querer saber tudo o que se passa pelo mundo quando ainda não saí da redoma. É que nos últimos tempos o meu acordar é um pesadelo, qualquer coisa estilo - violência, criminalidade, criminalidade, violência... Não se fala de outra coisa nos media, resta saber se porque nada mais têm para nos contar, se porque estão convencidos de que é saudável descrever ao pormenor os actos criminosos que proliferam por estes país.

E pronto, convencidos de que informam o cidadão, esquecem-se que na verdade lhe estragam o dia logo às sete e meia da manhã! Pior, deixam uma pessoa completamente louca. Tanto, que já dou por mim a pensar que jamais voltarei a entrar numa sucursal de um Banco - a partir de agora é tudo via net. Estou ainda a pensar não voltar a parar em estações de serviço e, garanto-vos, não é pelo preço da gasolina. Parece-me também prudente evitar jardins e zonas comerciais nocturnas, locais apetecíveis aos amigos do alheio, está visto.

Okay, talvez esteja a exagerar um bocadinho, não vá tanta medida ditar a minha própria prisão domiciliária..! A alternativa talvez passe por cingir-me ao canal Panda logo pela manhã. Ou, vá lá, um canal de música, de história, natureza, etc... qualquer coisa numa tentativa de ter um acordar um nadinha mais tranquilo...

Quarta-feira, Setembro 17, 2008

100 anos de Toblerone: o meu tributo

Como a TV nacional me deprime - creio que não precisarei de me pronunciar detalhadamente sobre programas como "O Momento da verdade", "Lucy", "Rebelde Way", "Jornal Nacional" e outros que tais para saberem do sintoma de que falo... - recorri a um dos três mega Toblerones que no presente habitam o frigorífico* e ataquei impiedosamente a edição limitada com frutos secos.

Entretanto, ia já a meio da outrora gigante tablete de triângulos quando chega a pausa para a miraculosa publicidade (tendo em conta a grelha...). E ei-lo: o anúncio a este ícone, ousando desafiar os milhões que consomem a caixa mágica em horário (nada) nobre a comemorar o centenário do chocolate triangular.

O que me deixou tranquila? Pois bem, saber que naquele momento houve muito quem levantasse o rabo do sofá para comemorar o dito centenário! É sempre uma sensação reconfortante saber que não somos os únicos a arruinar a linha em frente ao televisor, coisa que me traz à cabeça uma imagem bastante deprimente.... Ainda assim, um bocadinho menos deprimente que a Luciana Abreu a saltitar nas manhãs de fim de semana da SIC, provocando danos irreversíveis nas crianças deste país.

*fica aqui o merecido agradecimento a quem se lembrou de mim e das boas memórias que me traz um Toblerone comprado nas lojas duty free dos aeroportos...

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Servir bem, há pouco quem...

Nunca percebi muito bem para que servem os armazéns anexos às lojas de roupa. Principalmente das lojas do império Inditex, como sejam a Zara, Bershka, Mango, Stradivarius e por aí fora... É que sempre que pergunto por uma peça em cor diferente, tamanho superior/inferior, etc. já sei qual a resposta que me espera, geralmente de empregadas tão ou mais simpáticas que uma cascavel (só falta mesmo largarem veneno!): "Se não há aqui, é porque não há". Deduzimos, por isso, que "stock" é palavra que não entra no universo Inditex. Os armazéns estão vazios, servem apenas de ponto de passagem da mercadoria, dos transportes directamente para os cabides...

Vendem tanto que até podia bem ser assim. Mas não é. O problema destas lojas é que dão emprego a uma geração de portugueses que vê com muito maus olhos essa repugnante ideia de "servir os outros". É vê-los com uma indisposição permanente, com aquele desdém pela Clientela que afinal, mais do que o patronato, é quem lhes garante o salário ao fim do mês. Coisas que o seu parco intelecto não lhes leva a compreender... E pronto, a mais de levarmos com um trombil e uma resposta seca sempre que ousamos perguntar seja o que for... levamos com a desgraça de inferir que o nosso povo vai de mal a pior.

Se este tipo de atendimento se restringisse a lojas como as que referi, a solução não seria difícil... Lojas é o que não falta por aí! Contudo, e infelizmente, noutras áreas comerciais levamos com um tratamento não menos insuportável. No caso das empregadas que ganham à comissão, temos direito a uma dedicação excessiva - estilo marcação cerrada - e artificial q.b. Regra geral, estas são pouco honestas e muitas das vezes impingem-nos as coisas mais foleiras e mais caras da loja sem que demos pela "esparrela"...

Lojas de roupa à parte, as coisas não são muito diferentes noutros tipos de estabelecimentos. Servir bem é uma excepção tal que quando nos deparamos com alguém que nos brinda com um sorriso, que se mostra paciente ou, pelo menos, que não refila ao atender-nos... é uma festa! E quase que dá vontade de entregar uma estatueta dourada a congratulá-lo!

Ao longo dos tempos, as situações com que me fui deparando e os relatos que ouvi não deixam margem para dúvidas. Neste paísem que o verbo servir arrepia até a gente mais medíocre, pouca esperança nos resta. Esquecem-se essas criaturas que neste mundo todos servem todos. Dos gestos mais básicos às funções mais prestigiantes, tudo gira em torno da ideia de desempenhar / exercer / auxiliar / prestar serviço.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Hoje é noite de...

Chopin@ Palácio Condes Castro Guimarães
Depois de na passada sexta-feira a chuva ter ditado o cancelamento da versão musical de "Peter Pan", por Leonard Bernstein, o regresso aos jardins do Palácio Condes de Castro Guimarães dá-se hoje à noite, num espectáculo que recriará o ambiente das férias de verão da juventude de Chopin, quando o compositor dava os seus concertos nocturnos por debaixo dos frondosos castanheiros na quinta dos Condes de Skarbek, na Polónia. A noite promete, esperando-se que o tempo não (com)prometa..!

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Um país à sombra da bananeira

No Jornal da Noite do passado domingo – que está de uma qualidade que até arrepia mas que se coaduna com a restante grelha de programação da SIC... – dava-se conta do stress que paira sobre as famílias que agora findam as férias. A peça girava em torno de testemunhos de adultos de trombas a empurrar a tralha para dentro do automóvel, ao mesmo tempo que murmuravam e lamentavam o triste e infernal regresso ao quotidiano.

A estes ainda se perdoa a coisa... agora não lembra a ninguém que um profissional de saúde se aproveite deste jornalismo de tanga e na qualidade de psicólogo venha corroborar e a dar explicação científica (mais óbvia não há!) para o trombil dos portugueses quando terminam as férias.

E pronto, em tom alarmista a peça jornalística recolheu as impressões sobre essa tragédia que em Setembro se abate sobre as famílias portuguesas – não, não é a crise, nem a insegurança, nem o desemprego, nem tampouco o sobreendividamento! – e que dá pelo nome de “trabalho”.

É que ademais, gozam com aqueles que, como eu, não gozaram férias... Queiram eles saber que traumático é não ter férias há dois anos. É não saber o significado da expressão “à sombra da bananeira”...

Sintomática, esta faceta choramingona dos portugueses que usufruíram de um período de férias, mas que não satisfeitos com isso, arrogam-se ao direito de vir bradar aos céus o período de transição das férias para a vidinha – que é quase traumático! Valha-lhes uma comunicação social que lhes faz festinhas e empresta o ombro...!