Segunda-feira, Março 31, 2008

que pesadelo!

Não restam dúvidas: os homens são tão pouco originais nas aproximações a uma mulher. Creio que agora está na moda dizer que sonham connosco. E vai daí, no espaço de uma semana recebo três sms idênticas - "sonhei contigo" - sem tirar, nem pôr. De tal forma que fez lembrar aquelas correntes insuportáveis que tanta gente se dá ao trabalho de repassar via sms: pura idiotice, pura perda de tempo e pura perda de dinheiro. Não levem a mal o conselho, mas um pouco mais de originalidade e genuinidade não vos ficaria nada mal. Prefiro até que me confessem que fui protagonista do vosso pior pesadelo... sempre é mais original e, quiçá, mais verídico.

Memórias

... ou coisas que me fazem sentir vetusta [VII ]

Quem não se lembra - com a devida nostalgia - do brilho e da magia da Feira Popular? Das cores, dos sons, dos odores e dos sabores que polvilhavam as visitas à capital, quando as deslocações não se ficavam pelos escassos 60 minutos de hoje... e quando Entrecampos (outrora Palhavã) era paragem obrigatória?

Vir com a família a Lisboa era quase um luxo. Vir com a família a Lisboa e passear-se pelo célebre parque de diversões era um sonho. Aliás, a Feira Popular era uma verdadeira fábrica de sonhos no coração de Lisboa. Com o tempo, o espírito e a diversão daquele espaço perderam-se e a Feira Popular conheceu o seu fim em meados de 2003. Volvidos cinco anos, ainda não há qualquer garantia de que se recuperará aquele conceito, sendo certo de que se assim for será noutro local (já ouvimos de tudo - desde Jardim do Tabaco ao parque da Bela Vista...).

O que jamais se perderá, é certo, é a memória que guardo (e como eu tantos outros portugueses...) daqueles tempos passados. Da música, das banquinhas de algodão doce, pipocas, farturas e outras guloseimas, dos restaurantes cheios e dos cheiros - sardinha e frango assado, pois claro... - das barraquinhas de rifas, das máquinas de diversão, e claro, dos carrosséis, do espectacular poço da morte e da temível passagem de terror, da roda gigante (eu cá ficava-me pela montanha russa infantil...), das barracas de tiros, dos obrigatórios carrinhos de choque... um sem fim de memórias que ainda hoje conservo e cuja saudade se agudiza de cada vez que passo naquela zona cinzenta da Av. da República.

Quinta-feira, Março 27, 2008

Todos ao Teatro!

Num país que ainda tem uma certa tendência em menosprezar as artes cénicas, quão satisfatório é constatar que hoje um pouco por todo o lado se comemora o Dia Mundial do Teatro.
Da minha parte, a comemoração é 'adiada' para amanhã e sábado. Finalmente vou ver a peça que há mais de 11 anos está em cena no nosso país - "As obras completas de Shakespeare em 97 minutos", pela Companhia Teatral do Chiado. No sábado, é a vez de " A Bíblia: Toda a palavra de Deus (sintetizada)" pela mesma companhia. E se no domingo mais houvesse...

Domingo, Março 23, 2008

Gente feliz com lágrimas

Soltou uma gargalhada. Espontânea, ruidosa, demorada e infantil. E logo um súbito clima reprovador à sua volta. Aqueles olhos cruéis a forçar o desvanecer da sua expressão. E, repentinamente, os seus finos lábios a encobrirem os brancos dentes como a cortina vermelha a descer sobre um palco. E a luz que emana a sumir-se aos poucos, qual luz que se apaga no fim do espectáculo. Um rubor apodera-se da sua face e as mãos inquietas denunciam fragilidade. Os outros, por fim saciados, desviam o olhar e aguardam o próximo acto.

Soltou um sem fim de lágrimas. Em silêncio, um dilúvio corria rosto abaixo. E os olhos borratados de um preto sombrio. E o sal a saber-lhe a mar. E os outros, indiferentes àquela comoção, permanecendo imóveis, de olhos secos e almas áridas. Quando muito lançam furtivos olhares e suspiram em falso. E logo se dedicam a outra personagem, que a melancolia não sacia aquela gente. Gente sem lágrimas nem risos. Gente indiferente, dormente e contundente que não entende que a vida quer-se agridoce, entre lágrimas e risos, porque afinal só saberemos degustar o doce quando já tivermos provado o amargo.

* Título roubado ao célebre romance de João de Melo;

O objecto da discórdia


Telemóvel, o objecto de todas as discórdias. Não se fala de outra coisa neste país senão do episódio da adolescente que batalhou incessantemente contra uma professora a fim de reaver o seu gadget. Sinais dos tempos, dirão uns. Crise de valores, dirão outros. Ambas as coisas, digo eu. Depois do choque inicial, surgem agora vozes exigindo medidas a tomar face à invasão das tecnologias nas salas de aula.
Não creio que o que releva do episódio tenha tanto que ver com os deveres e direitos dos professores e alunos relativamente à propriedade e uso de telemóveis. Parece-me que o mais importante se resume à inversão de valores. Os valores patrimoniais que se vão sobrepondo, quase sem darmos por isso, aos valores humanos. E quanto mais o progresso nos brinda com estas novas tecnologias, mais tendência temos para reagir com atitudes primitivas.

Bem sei que nada (sublinho: nada) justifica aquela violenta cena, mas a verdade é que a sociedade de hoje nos formata para isto. Para estas dependências, para estes apêndices. O telemóvel é já uma extensão de nós, uma parte inamovível, um órgão vital à nossa (sobre)vivência.
Olhemo-nos ao espelho. Deduzo que a maior parte jamais teria a atitude da jovem em situação idêntica. Mas quanto tempo sobreviveríamos sem o nosso pequeno aparelho? ... Fiz este simples exercício e recordei, (com preocupação, confesso) que devido ao furto de um telemóvel já fiquei deprimida, com direito a dois dias de clausura! Dá(-me) muito que pensar.

Sábado, Março 22, 2008

Como lavar e encher a alma

Para todos aqueles que me questionaram sobre o concerto da Alicia, esqueçam as palavras que debitei sobre o assunto. Para os que ainda esperam pela minha habitual avaliação sobre os concertos, convido-vos a ler aqui um fidedigno e sublime relato do que se passou no Atlântico na passada noite de quarta-feira. Exceptuando a parte d'a boa memória deixada no Rock In Rio em 2004' - que eu aqui contradigo- não mudo nem uma linha do magnífico artigo da jornalista.

Sexta-feira, Março 21, 2008

i'm young and free, and suddendly it's Spring!

Frank Sinatra

Quinta-feira, Março 20, 2008

* foto by Charlotte March

Quarta-feira, Março 19, 2008

O Melhor

Quem me conhece sabe bem que gosto dele. Sabe que houve uma altura em que não gostava muito, sabe que mais tarde achei por bem dar-lhe o benefício da dúvida, sabe que o deixei conquistar-me aos poucos e que hoje não lhe perco o rasto. Sabe que admiro o seu permanente estado de saudável loucura e que me cativa o seu ar negligée. Sabe que invejo a sua genialidade e que saboreio a sua escrita como se de um Nobel se tratasse. E sabe que acho que ele merece muito mais. Falo dele, um dos melhores comunicadores da sua geração. E por falar em 'melhor', vale bem a pena ler um dos seus melhores textos.

Hoje é noite...


... de Alicia Keys @Atlântico

Alicia Keys é daquelas cantoras que precisou de amadurecer para que - uma mera apreciadora de música como eu - lhe reconhecesse o devido valor. Talvez esteja a ser injusta, mas só este último trabalho me convenceu.

Jamais ousaria pôr em causa a imponência da sua voz, o talento ao piano, o estilo tão próprio. Isto é, nunca duvidei do seu talento, mas faltava-lhe um "je ne sais quoi". E bem sei que os números comprovam o seu valor, bem como os vários records que os seus álbuns bateram...

Acontece que aquando do concerto da sua estreia por terras lusas - Rock in Rio 2004 - a estrela ainda não ofuscava. Graciosa, ainda muito ao estilo cantora negra de r&b, cabelo entrançado, trajes ousados q.b., e até uns quilinhos a mais (esta soa a malvadez feminina!).
Agora regressou à ribalta mais madura, mais apaixonada, mais Superwoman (título da melhor música do álbum). Caso para dizer, "quem a viu e quem a vê". Não é por acaso que o último álbum é intitulado de "As I am"...

Invasão Espanhola

Sem receios.
Não se antevê qualquer ameça à nossa soberania, pelo que reconheço que a epígrafe é um tanto ou quanto exagerada.
Mas vê-se e ouve-se tanto espanhol pela capital nestes últimos dias (graças aos sucessivos feriados de nuestros hermanos), que houvesse sol e eu julgaria estar pela Andaluzia...
Sim, hoje estou saudosista...

Segunda-feira, Março 17, 2008

Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente

Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa

Domingo, Março 16, 2008

Hoje foi noite...

... de Stacey Kent @CTA
Confesso que desconhecia esta voz divina. A redenção de tal pecado deu-se esta noite. E afinal, o factor "primeira vez" até tornou a noite simbólica. E que noite soberba..!

Stacey é surpreendentemente encantadora. Pela voz límpida e fluida, pela genuinidade e simplicidade, pelo enquadramento que tem em palco e pela expressividade com que nos brinda, pelos risos que solta qual criança, pelo evidente orgulho no que faz e, por supuesto, pelo quarteto magnífico que a acompanha.

Começou com temas originais, dos quais cabe relevar o sublime "I wish I could go travelling again" da autoria do seu marido, saxofonista que a acompanha. Ainda destaque para "Ice hotel" e "So many stars".

Quanto aos covers, foi feliz em todos eles. De "You go to my head" (creio que de Billie Holiday), a passar por sons do país irmão - "Let´s do it" (versão em inglês do "Façamos" de Chico Buarque) e samba com "Saravana" (de Vinicius de Moraes) em francês (!!) e com "March Water's", versão em inglês do famoso tema de Tom Jobim. E até o belíssimo "What a wonderful world" de Armstrong fica ainda mais delicioso cantado pela americana que tem tudo para conquistar mundo.

Em Portugal, é inegável que por onde passou (Casa da Música e CCB ), conquistou. Não é por acso que os doutos dizem que é digna de ser colocada no mesmo pedestal que Billie Holiday, Nat Cole ou Ella Fitzgerald...

Sábado, Março 15, 2008

...and the Oscar goes to...

Bem sei que os Óscares há muito foram entregues, mas ainda vou a tempo de registar aqui o meu descontentamento quanto a alguns dos nomeados e premiados. Não sendo uma cinéfila digna de opinar sobre Hollywood, sei que de nada me serve estar para aqui a rabujar, mas... não ficava tranquila se não mandasse uns bitaites sobre as estatuetas deste ano, ainda que tarde e a más horas (coisa que, sublinhe-se, se fica a dever ao desfasamento entre a estreia dos filmes lá e por cá...):

1 - Este País não é para velhos é dos manos Cohen, tem dois grandiosos actores, tem um argumento interessante, tem o Javier Bardem com o corte de cabelo mais piroso da história do cinema, tem sangue para dar e vender, tem um desgraçado final e tudo isso faz dele o merecedor do óscar de melhor filme. Humpfff!

2 - Não desconsiderando Marion Cotillard (pese embora pareça que o óscar lhe deu a volta à cabeça...) Ellen Page é das melhores actrizes que tenho visto. De uma maturidade que impressiona, aos 20 anos tem já um percurso invejável. Interpretou desde papéis de forte densidade psicológica - é sociopata em "Hard Candy" - a adolescente precoce e destemida em "Juno". Merecia mais (leia-se: merecia o Óscar!).

3 - Atonement, tal como foquei aqui e aqui, também merecia mais.

4 - Dois grandes filmes do ano eram no mínimo dignos uma qualquer nomeação: "The brave one"(prefiro a tradução portuguesa: "A estranha em mim"), pela sempre talentosa Jodie Foster num papel impressionante, pelo igualmente brilhante Terrence Howard, pela fotografia e, mais não fosse, pela excelente banda sonora.
Outro dos injustamente esquecidos foi American Gangster - um drama brilhante, com excelente argumento e Denzel Washington e Russel Crowe a comprovarem porque outrora mereceram uma estatueta dourada.

Parece que este ano valeu aquele usual preconceito quanto ao cinema mainstream, curiosamente o género que é suposto a cerimónia premiar. Esquecem-se que muitas vezes, ele é bem melhor que o cinema dito independente/alternativo/pseudo-intelectualóide.

Sexta-feira, Março 14, 2008

Madonna, versão agridoce

O ansiado regresso de Madonna - mulher que para mim tem tanto de contestável quanto de admirável - está marcado para o final do próximo mês de Abril, com o lançamento do seu 11º álbum .
O último trabalho da rainha da pop intitula-se "Hard Candy", que é simultânea e curiosamente o nome de um filme que vi recentemente. Um daqueles filmes que não se consegue apurar se gostámos ou odiámos, até pela audácia em versar sobre temas complexos, como o são as (perigosas) ligações cibernautas e as pedofilias digitais...
Adiante, que o aqui releva é que a diva está de volta e justificou o título com a dualidade do disco, que contrapõe força a doçura.
Agridoce, portanto.
Esperar para ver, ouvir e... dançar (muitoooo, consta-me que ao estilo 'confessions on the dance floor').

Quinta-feira, Março 13, 2008

(n)as tuas mãos


"Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega."

António Lobo Antunes

as mãos que afirmam e as que desdizem
as mãos que se perdem e as que se encontram
as irrequietas e as receosas
e ainda as mãos que sossegam
as mãos que provocam arrepios e as que aquecem
as que mostram e as que escondem
as mãos que acolhem, que simultaneamente unem e libertam
as mãos que tive e que perdi
as que conquistei e aquelas a que me rendi

Quarta-feira, Março 12, 2008

Recomenda-se

Não fossem os deveres profissionais (leia-se: ter que acordar cedinho amanhã!) e neste momento estaria a ouvir a mais recente revelação da pop portuguesa: Rita Redshoes.
A menina da imagem apresenta hoje o seu primeiro álbum "Golden Era" no Musicbox. Para alguns é novidade, para outros nem tanto - foi vocalista dos fugazes "Atomic Bees"e faz parte da banda que acompanha o leiriense David Fonseca.
O certo, é que vale muito a pena escutar esta menina, de uma voz deliciosa e melodiosa q.b..
Faz lembrar Margarida Pinto, ex-Coldfinger que se lançou a solo em 2005 mas que - infelizmente - não logrou muito sucesso.
A diferença é que se uma só canta em português, a outra só canta em inglês. Estratégia... ou tão simplesmente uma preferência?
Seja o que for, a artista já tem uma agenda recheada de espectáculos e dois dos seus temas "Dream on Girl" e "Hey, Tom" já rodam nas rádios com a devida frequência.
Caso para dizer... Dream On Girl...!

Segunda-feira, Março 10, 2008

e por falar na condição feminina...

... eis algumas das mulheres que nos enchem de orgulho!



Mariza, a voz que arrepia... de estrela do fado a diva da world music - nomeada para um Grammy, com direito a pisar os mais famosos palcos do mundo. Tudo isto, sem nunca renegar as suas humildes origens.




Cristina Kirchner, de primeira-dama a Presidente da Argentina - quem disse que às mulheres bonitas lhes falta inteligência e garra?! ...




Vanessa Fernandes, atleta do SLB. Com apenas 21 anos é líder mundial de triatlo, tendo arrecadado no passado mês de Fevereiro o prémio de "Personalidade do Ano 2007".




Joana Vasconcelos é porventura a artista plástica portuguesa mais marcante da última década, expondo as suas singulares obras e arrecadando prémios
pelo mundo fora - de Veneza a Istambul, de Budapeste a S. Paulo, de Madrid a Viena...





Naide Gomes, atleta leonina que no passado domingo se sagrou campeã mundial de salto em comprimento nos Mundiais que decorreram em Valencia.





Hillary Clinton, a primeira candidata feminina na história da corrida à presidência dos EUA.






Paula Rego, a pintora portuguesa com maior projecção internacional que na passada semana bateu um record mundial com a venda de um quadro seu, pela Sothebys, no valor de 740 mil euros.

Domingo, Março 09, 2008

Da Condição Feminina

O 8 de Março é, porventura, o dia do ano que mais temo. Este ano não foi excepção. Creio, no entanto, ter já recuperado, sentindo-me ora preparada para fazer um balanço de mais um Dia Internacional da Mulher.

Chegado o 8 de Março, é inevitável: tremo de medo de cada vez que ouço o som de um sms a chegar ao meu telemóvel. É qualquer coisa equiparável ou Natal e ao fim de ano. Com pesar, constato que alguém se lembra de correr a lista de contactos com sms's que além de não serem personalizadas, são pirosas q.b. O grave, é que a maioria delas provêm de machos latinos se lembram de evocar as mil e uma virtudes da Mulher, quando nos restantes dias do ano parecem sofrer de uma qualquer espécie de amnésia.
Depois, os eventos dedicados à Mulher. Feiras disto, exposições daquilo, festas e concentrações daquel'outro, haja paciência!
Já para não falar daqueles jantares cuja concentração de mulherio é assustadora e onde, ironicamente, os comportamentos excessivos e insensatos chegam a aviltar o ser feminino.

Confesso que muito me preocupa o facto deste dia ser intensamente celebrado neste país. Este feminismo populista já não faz sentido. Se caminhamos a passos largos para a igualdade do género, por que teimamos em comemorar um dia que acicata a diferenciação e o fosso entre a condição masculina e a feminina?
Esta comemoração eufórica do dia da Mulher só pode ser sintomática da necessidade que ainda há em dar visibilidade à Mulher. Mas não creio que tal faça sentido: estamos hoje no mesmo patamar que os Homens - os mesmos direitos, deveres e poderes. De certa forma, ouso até dizer que estamos prestes a ultrapassá-los: somos mais nas universidades, assumimos cada vez mais lideranças e imprimimos indelevelmente o nosso cunho na comunidade - do desporto à política, das artes à benificiência, das ciências sociais ao associativismo, e por aí fora.
Por que teimamos então em pactuar levianamente com esta espécie de auto-discriminação?!
Da lei das quotas aos recém-criados movimentos partidários femininos (Mulheres Social-democratas - bahhh), da segmentação dos produtos comerciais (cartões crédito, telemóveis e até iogurtes exclusivos para mulheres!) à tv (a denominação do canal é descabida - há por aí tanto homem a ver a Oprah..!) a lista de exemplos flagrantes de discriminação do feminino é vasta. E não me venham com aquela ideia absurda da "discriminação positiva".

Eu cá, todos os dias tenho mil e um motivos para celebrar esta minha condição feminina. Mas se há dia em que ser mulher me deixa deprimida, é precisamente a 8 de Março de cada ano, quando sou bombardeada por feminismo de ocasião, a cheirar a mofo e a roçar a imbecilidade.

Sexta-feira, Março 07, 2008

2 anos!!

inês de castro, my little passion

Ficção de luxo na estação pública II

Está a dar boa ficção na TV.
Sim, estou a falar a sério. Boa ficção na RTP1 com direito a horário nobre. Não é para menos. Trata-se da versão do século XXI da primeira novela da história da televisão portuguesa - Vila Faia. A estreia deste remake faz-se no dia de aniversário do primeiro canal - 51 anos.
Não sei se o intuito era dar aos telespectadores um presente, mas eu considero-o como tal. Nem sequer sou fã de novelas (já lá vai o tempo em que era adolescente e devorava New Wave!) mas cinco minutos em greve de zapping e esta produção cativa-me. Mais não seja pelo marco histórico que representou nos anos 80 (ainda nem era eu nascida!) e pela curiosidade que me despertou ouvir desde sempre os mais velhos falarem desta novela. Acresce que conta com um excelente elenco - a notável Simone, o cada vez melhor Virgílio Castelo, Inês Castel Branco crescidinha num registo que não lhe é habitual e Albano Jerónimo, fabuloso como sempre. Cabe ainda fazer referência à cenografia de qualidade e às escolhas musicais.
Eis a prova de que também sabemos fazer boa ficção. E a prova de que não faz sentido vender-mo-nos à Globo ou fabricar novelas standard e com os protagonistas e as estórias de sempre (leia-se: TVI).

Quarta-feira, Março 05, 2008


Digam o que disserem os manuais da especialidade, já é Primavera.
Soube-o quando preteri o meu rotineiro almoço por uma imprevista viagem no 28. Do nada, resolvi apanhá-lo ao descer a Sé, quase lotado, com um único lugar reservado para mim junto à janela. O sol que trespassava entre os prédios aquece-me o corpo e a alma à medida que subimos até ao Chiado. Aí, personagens de mil cores calcorreavam o largo. Uns com a pressa do costume, outros estendidos sobre os bancos numa ociosidade que dava inveja. Os turistas de chinelo no pé que já ousam vestir à Verão, com os seus narizes e bochechas um tanto ao quanto avermelhadas. Os habitués do Bairro Alto, quais zombies a resistir à luz do dia. Os miúdos de mochila às costas, telemóvel em riste e planos para as férias. Perco-me pelas conversas, embora me concentre na poesia do passageiro do lado. Daí ao Jardim da Estrela é um ápice. Um chilrear de fundo confunde-se com os demais ruídos citadinos. Postrado diante da Basílica, o jardim está mais verde que nunca.
Cheiro a Primavera.
E finalmente, Campo de Ourique. Sigo pela sombria Ferreira Borges e depois atalho até ao Jardim da Parada. Encontro os mesmos velhos de sempre, de cartas em punho, conversas de circunstância, olhar perdido algures no tempo.
Ouve-se a Primavera.
Procuro um banco ali mesmo junto ao recinto da criançada. Os seus risos ecoam em mim. Um cão aproxima-se e implora uma festa. Rendo-me.
Sinto a Primavera.
E perco-me por ali até que o ponteiro do relógio mo deixe. Depois, o caminho inverso. Espero o 28 cobiçando os bolos na vitrina do Canas. Desta vez não encontro um lugar sentada, mas descubro um espacinho na parte posterior do eléctrico. Segue-se a descida vertiginosa da Calçada da Estrela, a espreitadela para as traseiras da AR e entre subidas, descidas e largada de passageiros, a memória fotografa a vida desta Lisboa de mil e uma cores.
Sabe-me a Primavera.
Sei que a minha viagem está prestes a terminar quando encetamos uma travessia pelas ruas da Baixa. O castelo olha-me do cimo da colina e que desejo tenho de subi-la... Imagino-me a contemplar a cidade moura, o azul-prata do Tejo, a luz divina que cai sobre esta Lisboa.
E, finalmente, vejo a Primavera.

Terça-feira, Março 04, 2008

Recomenda-se

Por sugestão de uma companheira nestas lides bloguísticas ando a ouvir Pink Martini. O grupo não é novo (14 anos!), mas soa a novidade. E que bem que soa..!
Para terem uma breve ideia, de momento é a banda sonora aqui do agre&doce (toca a subir o volume!).
A impressionante voz pertence a China Forbes, que ora canta em inglês, ora em francês, italiano e até português - ainda que com um sotaque abrasileirado q.b. - resta saber se premeditado ou não...
O grupo conta com mais de uma dezena de membros fixos, aos quais de juntam uns outros tantos nas tours.
Piano, violinos, violencelos, percussões, sopros... melodias que vão do jazz à música clássica num tom lounge, com uma pitada de pop e de sonoridades latinas, mercê das díspares referências musicais que influenciam o grupo.
Este cocktail bem servido dá qualquer coisa como "world music".
Estiveram em 2005 por terras lusas e, agora que acabo de me viciar nas suas músicas, aguardo ansiosamente o regresso.
Ainda para mais, acabaram de lançar o seu 3º álbum, intitulado "Hey Eugene". A escutar.

Domingo, Março 02, 2008

A Teoria do Caos e o Efeito Youtube *

O que pode o governo do Paquistão ter a ver com uma valente birra da minha sobrinha? Aparentemente, nada. Da mesma forma que, a priori, nos soa a descabida aquela teoria do caos, em que a borboleta que bate as asas em Tóquio desencadeia um ciclone nos EUA.

Sucede que no passado fim de semana prometi à pequena visionarmos juntas uns vídeos do Noddy, Ruca, Bebé Lilly, Avô Cantigas, etc. Recorri ao Youtube, fiz a pesquisa, seleccionei e... deparei-me com uma mensagem de erro ao ler o vídeo. Aquele e todos os demais. Foi o caos e não havia teoria que libertasse de culpa a tia. Todas as desculpas foram em vão... ela amuou e fez uma birra do outro mundo.

Nem mais, se havia culpado, ele encontrava-se precisamente do outro lado do mundo: Paquistão, cujo governo entendeu bloquear o acesso ao Youtube por considerar que este "divulga conteúdos blasfemos" (leia-se: vídeos anti-islâmicos). Já nem questiono os laivos de censura que a medida comporta... O que me deixou realmente possessa foi que aquele governo não se contentou em fazê-lo estritamente no seu território, dado que a restrição alastrou-se e provocou um bloqueio mundial ao site.

Esta medida no tocante ao maior portal de partilha de vídeos não é coisa nova. O mesmo já sucedeu na Turquia e na Tailândia, sem no entanto causarem distúrbios no acesso global. E até o Brasil, cedendo aos caprichos de uma celebridade - Daniela Cicarelli -, bloqueou o acesso ao portal em Janeiro de 2007, gerando uma onda de contestação pelo país.

Entretanto, parece que o governo paquistanês recuou na decisão e alegou que o bloqueio para lá das suas fronteiras deveu-se a um erro de implementação da ordem.

O certo é que o lapso volta a colocar questões interessantes sobre o controlo de conteúdos na rede, a liberdade de informação, bem como a da segurança do sistema global da Internet. E claro, suscitou uma questão da qual eu ainda não me desembaracei, que tem que ver com o incumprimento das minhas promessas à pequena Inês. Não vai ser nada fácil, acreditem.

* sobre a minha sobrinha