
É inegável que a carteira de uma mulher é um mistério para o comum dos seres masculinos. Um mundo que lhes transcende, mas que teimam em querer descortinar ou, pior, em questionar.
Lá porque vocês, homens, acham efeminado usar malas masculinas e continuam a andar com a volumosa carteira no bolso de trás e os gadgets nos bolsos da frente, sem que haja lugar para mais um alfinete que seja... escusados são os comentários que tecem quando não encontramos o telemóvel nas profundezas da carteira ou quando são 'obrigados' a segurar a dita por um bocadinho que seja.
Até porque uma certeza tenho: uma qualquer carteira feminina já vos foi muito útil e provavelmente já vos salvou de muita coisa. Desafio-vos a virar uma mala feminina do avesso à socapa e a constatar pelos vossos próprios olhos que se ela pesa uns módicos 3,5 kilogramas, não é porque temos especial prazer em fazer dela um haltere para o dia-a-dia.
Garanto-vos que encontrarão por lá uma imensidão de coisas indispensáveis - leia-se: porta moedas, carteira de documentos, telemóvel, agenda e óculos de sol - e depois, outras não menos indispensáveis.
Um livro (que muito poderá dizer sobre a sua dona), uma garrafa de água (que já vos saciou muitas vezes), lenços de papel (que com certeza já vos foram muito úteis), um pequeno guarda-chuva (que vos alberga frequentemente), um snack ou pacotinho de bolachas (que já vos salvou a barriga de miséria), uma bolsinha de maquilhagem (que são responsáveis pela aparência impecável de uma mulher mesmo depois de um dia caótico, pelo que podem estar-lhes agradecidos...), duas ou três espécies de medicamentos (que dão um jeitão quando a dor de cabeça ataca) e uma echarpe (que previne a vossa mais-que-tudo de eventuais resfriados...).
Tudo isto para vos advertir: deixem lá de conjecturar sobre a bagagem feminina. E livrem-se de nos fazer má cara quando levamos horas a descobrir o molho de chaves ou quando simplesmente vos pedimos, por favoooooooor, para segurar a carteira por uns instantes.
Se carregamos com este acessório diariamente, é porque ele é essencial à nossa (e por arrasto, à vossa...) sobrevivência. Onde é que está a dificuldade em perceber coisa tão simples?