Nunca consegui compreender o efeito que esta frase provoca nos lisboetas. Mal se ouve, o caos instala-se. Ainda não caiu a primeira gotinha de chuva e já se respira inquietação e confusão. Ainda as nuvens ameaçam e já um estranho nervoso miudinho se apoderou dos homens e mulheres desta cidade.
E quando finalmente cai a primeira chuva, Lisboa converte-se em Babel. O trânsito é o primeiro a ressentir-se e conduzir torna-se missão impossível. Os táxis entram num corrupio tal que se aconselha distância. Os transportes públicos enchem de um instante para o outro e ouvem-se queixumes.
Nas ruas os transeuntes chocam entre si, como peões de um jogo, vociferando e rogando a S. Pedro que amaine a tempestade que sobre eles se abateu. Àquelas vozes, juntam-se os pregões dos vendedores, ecoando pela cidade. São guarda-chuvas e gabardines a meia dúzia de euros, destinados que estão a resistir a pouco mais que um aguaceiro. Os cafés e zonas comerciais enchem-se, para gáudio dos comerciantes e lamento dos habitués. Os jornais, depois de lidos, desenrascam os mais desembaraçados até ao destino. Pelo meio, conversas de ocasião quando se cruzam debaixo dos toldos.
E do “parece que vai chover” evolui-se para o “está de chuva”.
Depois das previsões... constatações.