Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

tic tac tic tac


31 de Dezembro.
chegou num ápice.
eu por cá, nem tempo tive de fazer o incontornável balanço do ano.
já quanto às resoluções de ano novo, confesso que pensei um bocadinho...
[umas mais agre, outras mais doces...]
quanto a vós, amigos, desconhecidos, habitués, leitores esporádicos ou anónimos...
um dulce 2008!

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Fortuna é...


Fortuna é ter sempre ambições,
Fortuna é um arquivo de emoções.

Ser simplesmente,
Código diferente
Amealhar toda a gente...

Fortuna é um cofre forte de visões,
Fortuna é um banco de memorizações.

Fortuna é monopólio de ilusões,
Fortuna é um cheque de ilustrações.

Juro presente
Vale pendente

Conta corrente de alguém
Que sabe que a vida é um empréstimo banal
E a morte apenas o preço final.



Numa sociedade cada vez mais partidária do materialismo e, particularmente, numa época do ano que estimula a um alarve consumismo, parece-me oportuno pensar o real significado de fortuna.
As despretensiosas palavras acima transcritas são de Rui Reininho, foram há muito cantadas por Manuela Moura Guedes e fazem cada vez mais sentido.
Basta olhar em meu redor para concluir que, quanto mais se apregoa a elevação espiritual, menos ela se nos sobra.
Resta a certeza de que a riqueza é muito mais do que o que os nossos olhos alcançam. E de que a vida é muito menos do que os nossos corações desejariam.

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

Lo que pasa en Madrid, en Madrid se queda!

Ainda assim, apetece partilhar o meu prolongado e agridulce fim de semana! Regressei a Madrid na melhor companhia e com um alucinante programa dividido entre a cultura e o ócio.
Inevitável, a passagem pelo triângulo de ouro dos museus, onde a expectativa maior se centrava na exposição de Paula Rego - a maior e mais completa exposição retrospectiva da pintora portuguesa. Mais de duas centenas de obras de Paula Rego deixaram-nos boquiabertos, entre o real e o imaginário, entre a crueldade e o sonho, entre o humano e o monstruoso, entre o agre e o doce.


A Dança, 1988


Depois, um pulo ao Thyssen-Bornesmisza para admirar a colecção dos barões. Sobretudo, o impressionismo, expressionismo, surrealismo e pop art. De entre todas, surpreendeu-me esta obra de Delaunay, que desconhecia, curiosamente intitulada de " A grande portuguesa" .



Robert DELAUNAY, A grande portuguesa, 1916


A contra-relógio ainda houve espaço para as últimas compras natalícias, divididas entre as zonas comerciais da cidade e o ecléctico e sempre imperdível "Rastro de Madrid".

A noite de domingo, quente, na Arena de Madrid ao rubro, com as
Spice Girls a provarem que merecem tal designação e que ainda estão aí para as curvas!



Para terminar, Segóvia.
A cidade fria e a neve ao longe na Sierra de Guadarrama.
O coração quente e, por perto, duas das pessoas que nele ocupam um espacinho privilegiado.
PS - a repetir!

Domingo, Dezembro 23, 2007

Hoje é noite...


... de Spice Girls. Sim, a histórica girlsband está de volta. A tournée passa aqui ao lado e eu já tenho garantido o meu lugar. O grupo marcou a minha adolescência - de tal forma que dez anos depois ainda sou capaz de cantarolar quase todas as suas músicas.
Uma espécie de regresso ao passado - eis o que espero do concerto das 'chicas picantes' na Telefónica Arena de Madrid, hoje à noite.

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007


Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Parece que vai chover

Nunca consegui compreender o efeito que esta frase provoca nos lisboetas. Mal se ouve, o caos instala-se. Ainda não caiu a primeira gotinha de chuva e já se respira inquietação e confusão. Ainda as nuvens ameaçam e já um estranho nervoso miudinho se apoderou dos homens e mulheres desta cidade.

E quando finalmente cai a primeira chuva, Lisboa converte-se em Babel. O trânsito é o primeiro a ressentir-se e conduzir torna-se missão impossível. Os táxis entram num corrupio tal que se aconselha distância. Os transportes públicos enchem de um instante para o outro e ouvem-se queixumes.

Nas ruas os transeuntes chocam entre si, como peões de um jogo, vociferando e rogando a S. Pedro que amaine a tempestade que sobre eles se abateu. Àquelas vozes, juntam-se os pregões dos vendedores, ecoando pela cidade. São guarda-chuvas e gabardines a meia dúzia de euros, destinados que estão a resistir a pouco mais que um aguaceiro. Os cafés e zonas comerciais enchem-se, para gáudio dos comerciantes e lamento dos habitués. Os jornais, depois de lidos, desenrascam os mais desembaraçados até ao destino. Pelo meio, conversas de ocasião quando se cruzam debaixo dos toldos.
E do “parece que vai chover” evolui-se para o “está de chuva”.
Depois das previsões... constatações.

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Desculpa



É palavra que custa a pronunciar, bem sei.
Parece que não flui como as demais; falta destreza.
Inoportunamente, a voz teima em falhar.
Talvez por isso, pareça palavra de fraqueza.
Mas é de inegável beleza.

É sábio quem a profere; bendito quem a escuta.
Talvez por isso, mais uma vez, desculpa.


Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

uma só cidade, vários natais




Talvez muitos ainda não tenham dado por isso, mas nesta deslumbrante cidade há um triste contraste que se agudiza nesta época festiva.
São as luzes, as sonoridades natalícias, as montras coloridas, os sacos de compras e os embrulhos requintados a contrastar com o homem de mão estendida, deitado na calçada fria à esquina do centro comercial ou a velha mulher que parece habitar aquele degrau ao fundo da escadaria do Metro.
É a luminosidade e o ar sumptuoso que se respira nesta Lisboa a ofuscar o pardacento e malfadado quotidiano de quem vive entranhado em pó e destinado ao dó.
Os que passam, tomados de uma letargia que repugna, nem no Natal se deixam comover pela miséria alheia que os circunda todo o ano.
Bem sei, o traje a rigor, a mesa farta e os presentes desmesurados são requisito em muitos lares por aí fora. Bem sei, altruísmo não vai bem com consumismo.
Anseio pelo dia em que alguém, pacientemente, me explique o que significa e representa o espírito natalício. Até à data, a ideia que tenho é que é uma espécie de encantamento que convinha prolongar pelo resto do ano: perfeito para evitar tropeçar nos homens e mulheres prostrados pela cidade, perfeito para evitar cair nessa coisa a que chamam compaixão.


* foto de Francisco Garret aqui

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

São como as cerejas...


...umas atrás das outras.
Ontem devorei um Pai Natal de chocolate, hoje já lá vai uma caixa inteirinha de Mon Chéri e ainda é hora de almoço.
Quem me conhece sabe que tenho um único vício - chocolate - mas a dependência agrava-se de forma preocupante nesta época natalícia...
Valerá a pena pedir “Socorro”?!
Ou será situação generalizada?
(Digam que sim, digam que sim!!)

Memórias

... ou coisas que me fazem sentir vetusta! [IV]

Quando chegavam as manhãs frias, o Inverno ameaçava ruir sobre nós e na lareira a lenha a arder inundava a casa de um odor agradável, a minha mãe costumava brindar-me ao domingo com um prazenteiro pequeno almoço.
Eu acordava com a preguiça típica de fim de semana, arrastava-me até à cozinha conduzida pelo cheiro adocicado e, ainda a esfregar os olhos de sono, deparava-me com um banquete matinal preparado com o rigor e o amor que só as mães sabem.
Fatias douradas e chá de cidreira. Puro luxo.
As primeiras, feitas de pão macio – ao contrário do que recomenda a receita, se não estou em erro – e envoltas em quantidade desmesurada de canela e açúcar. O chá a fumegar e as indispensáveis colheradas de mel. A juntar a isto, os desenhos animados preferidos e o momento era perfeito..!
Que saudades destes mimos. Quer-me parecer que este fim de semana vou reivindicar um tratamento destes à mamã!!!

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Missão Sorriso

A Claudinha rumou à Índia com, pelo menos, seis meses de voluntariado pela frente.
Se conseguir contagiar o povo indiano com este espontâneo, generoso e invejável sorriso, a missão considera-se cumprida. Porque um sorriso vale mais que mil palavras: alimenta a alma, conforta o corpo e é até capaz de regenerar quem o recebe.

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Hoje é noite...


As meninas bonitas - de quem sou assumidamente fã - regressam a Portugal para mais uma série de concertos já esgotados. Ontem no Porto, hoje na Aula Magna e amanhã na Cidade Berço.
Espera-se uma noite vibrante, com sete músicos em palco (quatro músicos além das três vocalistas) a proporcionar uma viagem no tempo, onde Joy Division, New Order, Depeche Mode e outros sons dos 80's serão, com certeza, evocados. A exigência que cabe fazer a este grupo francês é a de comprovarem o seu valor com um trabalho de originais, como já o fez - e bem - uma das suas vocalistas, Marina Celeste, detentora de uma voz verdadeiramente celestial.

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Phone-ix!! *

Sei que soa a cliché, mas tenho que partilhar com o mundo o quanto me irrita profundamente a ineficiência dos CTT!
Já não me debruço aqui sobre a famosa ineficiência do correio azul, que é a mesmíssima que o correio normal – leva décadas a chegar, nem que seja ao quarteirão do lado...!

Atente-se: entro numa estação para comprar um módico selo, dirijo-me a uma daquelas máquinas dispensadoras que orgulhosamente ostentam em cada uma das dependências, mas que está, invariavelmente, “fora de serviço” (!!!) e quando me resta tirar senha e (des)esperar por atendimento personalizado - imprescindível quando se trata de comprar selos! - , constato que tenho apenas e tão somente 29 pessoas à minha frente!
Mas o mais irritante de tudo é que se gabam – via publicidade – de estar na senda da modernidade, preocupadérrimos com os clientes, blá blá blá blá blá blá! Deve ser por isso que agora se transformaram numa espécie de quiosques, cheios de livrinhos, revistinhas, caderninhos e postalinhos... quiçá, para a clientela se entreter com alguma coisa e controlar os instintos negativos que naquelas alturas, inevitavelmente, afloram.

Depois, queixam-se que a internet lhes arruinou a ‘coisa’, que os portugueses já não escrevem cartas, e fazem do correio electrónico bode expiatório! Pudera! Se antes podíamos comprar um selo em qualquer loja da esquina, se antes havia marcos do correio aqui e acolá... se antes, quando queríamos comprar um selo, não tínhamos meia centena de clientes à nossa frente, uns para telemóveis ou para o Kit do SLB, outros para o livro de culinária e sei lá mais o quê..!!

Escusado é dizer que dei meia volta e pus-me a milhas dali..! É que a ineficiência é coisa contagiosa!


* bem sei que esta é a denominação da nova operadora móvel comercializada pelos CTT, mas a epígrafe não é publicidade, se é que me faço entender...

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

Vida de cão


Hoje pela manhã, o magnífico Pedro Ribeiro desafiou os matutinos ouvintes da Comercial a descobrirem que personagem do universo infantil se lhes assemelha.
Ora bem, meia dúzia de perguntinhas e eis que comunicam-me que 'fui feita à semelhança' do Snoopy.

Não tenho o hábito de dormir no telhado, não sou claustrofóbica e não, o meu melhor amigo não é um pássaro amarelo..! Mas parece que sou arrogante - «algo mandão, abusa dos outros» -, tenho um variedade de alter egos - «ser várias pessoas numa só» - e sou muito "dona do meu nariz". Enfim...

Só posso concordar quanto à "imaginação muito fértil"... Se há algo que me aproxima do retrato do famoso cão é viver constantemente num mundo de sonhos e fantasia. Se assim não fosse, quão aborrecida seria a vida..! Uma verdadeira "vida de cão"!

Domingo, Dezembro 02, 2007

Frutífero. Sumarento. Refrescante.
Assim foi o meu fim-de-semana por Terras de Sicó.