Domingo, Setembro 30, 2007

The autumn rain fell


Cheira a Outono.
Não sou fã desta estação, mas reconheço a sua beleza.
Já dele aqui falei. E também aqui...
Mas não é só a chuva a cair, o cheiro da terra molhada ou as
manhãs cinzentas.
É a despedida das sandálias, dos bikinis, das tshirt's, das vestes coloridas.
É aquela melancolia que já paira no ar.
Outono soa a família, a tradição, a sossego.
Outono é sinónimo de praias vazias, que eu tanto gosto.
É também o sabor dos fins de tarde enroscada no sofá.
São as folhas a perder a clorofila e a planar sobre as ruas numa dança singular. E depois, à passagem, a estalar a cada passo.
É ainda o chocolate quente e as fatias de pão barradas com doce de tomate.
E o cheiro de castanhas assadas nas ruas.
É o som das árvores ao vento.
São os olhares serenos sobre o Tejo calmo, nas tardes douradas.
É tempo de abrir o baú e de esgravatar memórias.
E é tempo de dar tempo ao tempo...

Bem lembrado...

"Só é possível avançar quando se olha para longe; só é possível progredir quando se pensa em grande"
[José Ortega Y Gasset, oportunamente citado por um especial amigo]

Sábado, Setembro 29, 2007

Manhã Cinzenta...

Rodrigo Leão, nesta manhã agridoce...

Quarta-feira, Setembro 26, 2007


Domingo, Setembro 23, 2007

Melancholy Mood

Chegou o Outono...
[foto in FLICKR]

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Se Maomé não vai à montanha...

Já por aqui tinha desabafado que o meu Verão não foi um Verão de relax, praia, mergulhos, cornettos saboreados ao pôr do sol, leituras refastelada numa espreguiçadeira, festivais, noitadas dia-sim-dia-sim e tudo o mais que é obrigatório na silly season.

Foi um Verão de novas responsabilidades, dedicação à vida profissional (ai, que crescidinha!), i.e. um Verão de ar condicionado, de bronze artificial - confesso... - e de menos tempo-livre para o que gosto e para quem gosto...

Assim sendo, as idas à vizinha Espanha, particularmente, à cidade que me acolheu durante alguns meses - Sevilla - ficaram adiadas, pelo menos nos próximos tempos...
Bem sei que Espanha fica a um pulinho, mas quero regressar com a calma e o tempo necessários para poder voltar a degustar o calor, a energia e o bulício andaluz.

O que vale é que, nem de propósito - a par desta minha nostalgia - está aí a feira Andalucía em Lisboa, na Praça Marquês de Pombal. Até ao fim do mês, é uma óptima oportunidade para quem, como eu, tem desejo de matar saudades da cultura andaluza... Ou para os que, não a conhecendo, têm curiosidade, correndo o sério risco de se apaixonarem à distância..!

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

“Ninguém me diga: «Vem por aqui!»” *

Neste pequeno concelho que é o meu, muito alvoroço suscitou, nos últimos dias, a minha posição relativamente às eleições internas do PSD.
Tudo porque, tomei partido - como é, aliás, meu apanágio.
Tudo porque, com toda a convicção, tornei público o meu apoio à candidatura de Luís Filipe Menezes na corrida pela liderança do partido, facto que veio a acossar algumas hostes sociais-democratas a nível local.

Lamento e preocupa-me este clima que se vive no seio de algumas estruturas de um partido que se diz, orgulhosamente, democrata.
Subserviência, caciquismo e conformismo são coisas que repugno veementemente e que não se coadunam com a minha postura perante a política e a vida.
Lamento se desaponto alguns pelo facto de pautar a minha actuação cívica e político-partidária por valores que muito estimo - convicção, determinação, rigor e, sobretudo, lealdade. Quem realmente me conhece, sabe que sou assim.
E que não pretendo mudar.
By the way, desafio os que ousam pôr em causa esta minha postura na política, a conhecerem-me melhor. Talvez assim percebam, que só estou na política com um interesse: o interesse na causa pública, jamais na causa própria.

Sou militante activa, dirigente partidária e autarca eleita pelo PSD, mas não vivo à sombra do meu partido. Ao contrário de muitos no universo político, tenho um trabalho próprio e nele sou avaliada por mérito e capacidades que nada têm que ver com o agitar de bandeiras e o “carreirismo” partidário.
A actividade partidária foi o canal que escolhi para expressar as minhas preocupações enquanto cidadã, fazendo soar a minha voz na sociedade civil e ansiando contribuir activamente para um país melhor. E é assim que vou continuar a agir.

Quanto ao meu partido, assusta-me este parasitismo e desiludem-me todos os que se ‘encostam’ por falta de coragem ou, mais grave, os que andam a reboque de conveniências. Não generalizando e não condenando, como é óbvio, todos os que estão do “lado de lá” – porque sei que também há quem lá esteja por convicção.
Contudo, confesso, esperava mais da parte de alguns sociais-democratas que conheço. Mais coragem. Mais luta pelos nossos valores e causas. Mais ética nas responsabilidades e mais ética nas convicções. E, claro, menos “militância de sofá”.
É por isso que no próximo dia 28 pretendo levar até à urna não só a minha convicção, mas também a minha indignação - pelos que teimam em desacreditar, fragilizar e manter morno um grande partido, que é o meu e o de muitos portugueses.

* José Régio, no célebre “Cântico Negro”

Uma agulha no palheiro

Como 'uma agulha no palheiro'. Eis a forma como eu vejo o Agre&Doce neste universo imenso que é a blogosfera.
Mais um blog, mais uma blogger, mais uma série de posts cujos 'consumidores' eu desconheço, excepção aos habitués que comentam.
No Corta-Fitas, um blog cuja visita diária é obrigatória e do qual eu sou assumidamente fã, Pedro Correia fez uma referência ao Agre&Doce, particularmente, ao post "A felicidade ao virar da esquina".
O fundador daquele blog e reconhecido jornalista do DN diz ter gostado de o ler. Eu cá, ainda mais gosto tive ao constatar que ilustres bloggers (sem desprimor dos demais, por supuesto) 'perdem' tempo a visitar este meu modesto refúgio.
Um sincero obrigada pela honrosa referência... e o "Volte Sempre" da praxe!

Domingo, Setembro 16, 2007

Just can't get enough

Delicioso, este tema dos Depeche Mode pela voz das meninas "Nouvelle Vague" - que eu muito aprecio - com a 'ajudinha' de Moby.

(...)

"Everytime I think of you

I know we have to meet

I just can`t get enough...

(...)

And when it rains

You`re shining down for me

I just can`t get enough

I just can`t get enough

Just like a rainbow

You know you set me free..."

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

A felicidade ao virar da esquina


Chovia. E eu, que abomino a chuva, caminhava tranquila pelas ruas.
Estava um calor sufocante, mas eu sentia-me mais livre que nunca. Um ruído de fundo, de trânsito, de stress, cinzento e poeirento, desagradava a qualquer um. Mas a mim inspirava-me.

Era um final de tarde triste, mas eu estava feliz.
Estava só, cansada, ensopada, perdida... mas incrivelmente feliz.
Senti-me simultaneamente vulgar e especial. Vulgar entre tantos outros iguais a mim, que caminhavam comigo pelas ruas da cidade. Especial porque, ao contrário dos demais, eu espelhava felicidade.

Porque tenho essa capacidade rara de me sentir feliz por mais que tudo o que me rodeie – e o que faça parte de mim - tente o contrário. Há qualquer coisa que não deixa que se abatam tempestades sobre mim. Por muito tormentosa que a minha vida esteja, há sempre alguma coisa que me arranca este sorriso fácil, mas sincero.



Uma boa música, uma criança, um raio de sol, uma varanda florida, uma publicidade bem feita, um telefonema inesperado, uma generosa taça de gelado, os velhos no jardim a jogar à sueca, os zigue-zagues com estranhos, um gato à janela, um beijo esperado, as adolescentes despreocupadas, uma carta no correio (que não seja uma conta para pagar!), uma peça de roupa gira por uma pechincha, uma nuvem a fazer lembrar um elefante, uma troca de olhares...

Coisas que nem precisamos de procurar, coisas que vêm ao nosso encontro. Coisas que nos fazem sorrir, coisas que nos sabem bem. Coisas que devemos valorizar, coisas que devemos estimar. Coisas tão simples, tão supérfluas e simultaneamente tão importantes, tão preciosas.

Basta estar atento, basta descobrir energias positivas nas coisas que nos rodeiam. Às vezes não há aparentes motivos para celebrar a vida, mas ela merece um simples sorriso em sua comemoração.
Como naquela tarde em que eu estava sozinha, ensopada, perdida... mas feliz e abençoada pela chuva que começou a cair, mal virei a esquina.


Foto de Marcelo Sardela no FLICKR

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Dona de Casa Desesperada

Agora que pude (finalmente) usufruir de uns dias de férias, eis que procuro na minha agenda os planos que tinham ficado em stand by.
Dias de praia&piscina, leituras em dia, exposições a não perder, um pézinho a Espanha e até as necessárias arrumações e limpezas cá por casa... figuravam na extensa lista de 'afazeres'.
Só que... amaldiçoadas férias....!
Não há sol que me valha, apenas trovoadas e chuva!
E as exposições que tinha como imperdíveis... já não estão aí para me receber (World Press Photo e 50 anos de Arte Portuguesa..).
A ida a Espanha fica (novamente...) adiada porque convinha não estar fora da capital num raio de 150km (estilo, termo de residência!)
Restam-me as leituras em dia, a que me tenho dedicado entre um raio de sol e outro...

e...
tchan tchan tchan tchan....
as limpezas... para as quais estou deveras motivada!!
Alguém por aí disposto a colaborar com mais uma dona de casa desesperada?
Bem sei que não sou a Eva Longoria... mas...

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Directas, Debates e afins

Caso ainda não tenha dado conta, (a novela Madeleine McCann domina a actualidade e deixa na penumbra as demais novelas...) já está aí a campanha para as eleições internas do PSD.
Pleonasmos à parte, enquanto social-democrata espero sinceramente que as campanhas de Mendes e de Menezes se pautem por valores como o respeito, honestidade e vontade em debater o que efectivamente importa.
Num partido que se diz orgulhosamente democrata, as eleições devem ser vistas como saudável fase na sua vida interna.
Com efeito, parece-me urgente que se ponha de parte as questiúnculas, os episódios das quotas e os ataques pessoais e que se alcance um desejável fair-play entre as duas candidaturas.
Neste âmbito, orgulho-me de - pelo menos no que toca à JSD - ambas as facções fazerem questão de primar as suas atitudes pelo tal “fair-play”. Prova disso, é o debate entre os porta-vozes nacionais das duas facções (Ribau Esteves representando Luís Filipe Menezes e Macário Correia por Luís Marques Mendes) já na próxima sexta-feira nas Caldas da Rainha, numa iniciativa dinamizada pela distrital de Leiria da JSD e o movimento Psicolaranja. Já que o actual líder do partido, Luís Marques Mendes, fugiu ao debate... espera-se que esta iniciativa possa elucidar sobre as duas candidaturas e esclarecer os presentes sobre os projectos, anseios e rumos de ambos os candidatos.

Domingo, Setembro 09, 2007

"Vê as pessoas pelos teus olhos, não pelos olhos do preconceito"


Oportuna, esta campanha que está por todas as ruas, retomando o conhecido lema
"Todos diferentes, todos iguais".
A decorrer a nível europeu, visa alertar para a necessidade de desmistificar preconceitos, fortalecer o respeito pela diferença e no fundo, celebrar a diversidade.
Nos próximos tempos, as iniciativas no âmbito desta campanha vão ser mais que muitas, pelo que aconselho a ficaram atentos ao site oficial.
Contudo, um primeiro passo que urge é primar o nosso comportamento quotidiano pelo respeito e igualdade de trato com os demais.
Para que, no futuro, campanhas como esta sejam desnecessárias.

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Brisa ténue que passa e arrepia.

Como a música.

As palavras soltas, o ritmo, a confluência das duas vozes, a pacificidade dos timbres, a harmonia dos sons a inundar o corpo que acolhe a luz da lua nesta madrugada amena.

Boa noite e... boa sorte.

"Boa Sorte/Good Luck" de Vanessa da Mata e Ben Harper

Terça-feira, Setembro 04, 2007

JSD - Juventude com Futuro!!

Finalmente, houve quem percebesse que as estruturas partidárias não são o lobo mau da democracia, e - melhor ainda - quem se depojasse de preconceitos vários e visse com os desejados olhos de imparcialidade as iniciativas de cariz partidário como o é a Universidade de Verão do PSD, da JSD e do Instituto Sá Carneiro.

Falo do jornalista Ricardo Dias Felner, que acompanhou a edição de 2007 da Universidade de Verão e relatou o que viu numa reportagem publicada na edição de ontem do Público. O que viveu em Castelo de Vide junto dos cem jovens alunos e dos muitos membros do staff, reitor e "docentes" incluídos, levou-o a concluir que:


"Ao final de cinco dias, uma constatação prosaica confirmou a originalidade do acontecimento. Durante mais de dez horas, divididas por três conferências, numa sala com uma média de idades de 23,7 anos, não se ouviu um toque de telemóvel, uma ameaça sequer, um simples bip de uma mensagem de SMS. O feito, por si assinalável, somava-se a uma outra realização notável. Por uma vez, em iniciativas políticas do PSD, os oradores começavam e acabavam as suas intervenções no horário previsto; por uma vez, não havia impasses organizativos, não havia saídas da sala em momentos mais mortos. Não havia, praticamente, momentos mortos.

(...)

Os alunos sociais-democratas de um curso de formação política mostravam uma disciplina militar, vontade de aprender para além da pequena estratégia concelhia e uma resistência estóica.

(...)

Com as palestras a começarem às dez da manhã, os trabalhos duravam até quase à meia-noite, interrompendo brevemente para o almoço, lanche e jantar. Mas a jornada não acabava aqui. Seguiam-se as reuniões intragrupos, nos quartos, que por vezes se estendiam madrugada dentro. No começo da semana, era mesmo habitual os alunos ficarem a pé até às 7h00, preparando perguntas para fazer ao orador da manhã seguinte; ou orquestrando a estratégia para a sessão plenária da parte da tarde; ou redigindo os questionários a enviar, por e-mail, a Ramos-Horta e a Durão Barroso.Tudo isto sem que, pelo meio, houvesse jogos recreativos (de cartas ou outros mais picantes), sem que se recorresse a estimulantes ou tranquilizantes, sem uma escapadela à discoteca (não há, em Castelo de Vide), sem um pezinho no bar (há um, mas fecha às duas da manhã). Apenas trabalho, avaliação e motivação".

O meu testemunho

Como ex-aluna da Universidade de Verão, sinto a maior satisfação e orgulho em ver a imprensa de referência constatar que a UV não é sinónimo de colónia de férias dos jotinhas, nem tampouco um pretexto para assinalar de forma diferente a reentré do partido - como alguns a descreveram. A Universidade de Verão é uma iniciativa louvável que conta já com cinco anos e que, tendo em conta o sucesso, não ficará por aqui. Procura, a cada ano, melhorar e inovar, nunca perdendo de vista o seu móbil: contribuir para a formação, motivação e consciência política dos jovens.

No meu caso - e creio que todos os que por lá passaram o subscreverão - a UV foi uma experiência impagável que marcou indelevelmente o meu verão de 2006. Abdiquei, durante uma semana - e sem pontinha de arrependimento -, de família e amigos, praia, mergulhos, festivais de verão, noitadas, etc, para juntar-me a um grupo de jovens que partilham comigo a sede de conhecimento e priviligiam a formação. Aprendi muito, partilhei saber, desenvolvi competências, explorei novas perspectivas, adquiri uma postura mais expedita e crítica, percebi o valor do espírito de equipa, da lealdade e companheirismo... e no regresso, a juntar a tudo isso, trouxe na 'bagagem' um bónus de valor imensurável: as amizades. Muitas... e muito boas.
Termino relembrando Sá Carneiro - tal como fiz questão no encerramento da UV 2006 - parecendo-me de novo oportuno:
"A juventude é inconformada, irreverente e até incómoda. Mas é precisamente isso que se espera dela."