
O fim de semana foi literalmente arruinado pelo cinza que cobriu o meu céu e a chuva inoportuna e desfasada que teimou em cair.
Contudo, apesar desta partida infeliz do São Pedro em meados de Junho, o meu fim de semana já se antevia cinzento.
Em época de exames não há distinção entre dias úteis e os demais, e o estudo (ou a tentativa dele…) é a palavra de ordem. Pelo que nem um sol escaldante, nem um céu azul, me teriam libertado nestes dois dias.
Talvez este tempo pardacento e esta melancolia que paira no ar até tenham sido favoráveis ao estudo, sem permitir as divagações que o bom tempo despoleta.
Mas não é só pela meteorologia e pelo intensivo estudo que hoje o dia está particularmente cinzento.
Domingo é sinónimo, regra geral, de almoço de família, de brincar com a pequena Inês, de descontrair numa qualquer esplanada, de pôr leituras em dia, de passear a Luana e claro, de planear a semana.
Estes são os meus rituais de Domingo, mas hoje a maioria deles não se cumprirá.
Hoje, a única ‘esperança’ será alternar o estudo com o “mapling”, ritual que, aliado ao “zapping”, também muito prezo.
Entre a teoria da conditio sine qua non e a cláusula da extensão da punibilidade, devoro um episódio de Prison Break e um do “Shark”.
Bendita “Fox”!
E devoro também uma tablete de chocolate, confesso.
Assimilo mais umas quantas teorias cuja proficuidade está longe de se revelar e aguardo ansiosamente, como de costume, pela missa dominical do Prof. Marcelo, administrada logo após o jantar.
E se não tivessem tido a péssima ideia de ir de férias, os Gatos pra lá de fedorentos animariam o meu fim de noite. Já é da praxe soltar umas saudáveis e ininterruptas gargalhadas na recta final do fim de semana, graças àqueles quatro tipos que, logo hoje…, resolveram ausentar-se!
Resta-me consolo com a excelente série da RTP1, “Conta-me como foi” – um retrato da sociedade portuguesa em tempos de ditadura, que consegue, de uma forma incrivelmente bem-humorada, dar uma ideia desses tempos aos que, como eu, não os vivenciaram.
Conclusão: o melhor remédio para combater este tédio dominical é alternar o inevitável estudo com o tentador comando da tv.
Não é um 'escape' muito recomendável em época de exames, bem sei.
Mas a caixinha mágica é a única forma de imprimir algum colorido a este domingo a preto e branco.