Sábado, Junho 30, 2007

Sweetest Goodbye


Tinha oitenta e nove anos, rios de rugas pelo rosto, as cãs a emoldurar-lhe a face, mãos trémulas que se mantinham hábeis e um coração que batia por todos.
Tinha uma história de vida simples, mas sofrida.
Trazia consigo segredos e receios, certezas e dúvidas.
Ainda assim, transbordava de amor, de ternura e de compaixão.
Tinha oitenta e nove anos e deixou-nos com a ternura do costume.
Dela, nunca esquecerei a pele alva, o abraço caloroso e o sorriso que às vezes era melancólico.
Memórias de quando andava comigo ao colo, de quando me fazia vestidos com exageradas mangas de balão, de quando nos recebia com esmerados banquetes nos almoços de domingo na sua modesta casinha.
De quando me levava pela mão a ver o rio e todas as maravilhas que habitavam o tesouro que era o seu quintal.
Nem sequer me esquecerei das tardes frias de inverno que passei na sua companhia,
em que me contava com entusiasmo as histórias do passado, aquelas que se lhe viam nos olhos cansados e no corpo que a tudo resistiu.
Recordava com saudade a humilde vida que tivera, os momentos que teimava em guardar na memória que por vezes a atraiçoava.
Hoje, sou eu que a recordo com saudade.
Mas não só. É também com um sorriso que me lembro dela.
Porque sei que era assim que ela gostava de me ver.

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Mosteiro em Selo




integra a emissão filatélica dedicada às 7 Maravilhas de Portugal, iniciativa dos CTT e da Organização do Evento.


Esta é mais uma forma de divulgar os 21 finalistas que estão presentemente a concurso e dos quais serão nomeados apenas 7 numa Gala a ter lugar no Estádio da Luz (que lugar melhor para apresentar as SeteMaravilhas de Portugal e do Mundo se não num estádio também ele maravilhoso?) no próximo dia 7 de Julho.


Até lá, a votação ainda decorre aqui.

Domingo, Junho 24, 2007

Estado de graça?

É comum dizer que a gravidez é um estado de graça.
Mas também há muito quem a considere um estado com muito pouca graça.
Facto é que ser mãe está, definitivamente, na moda.
As celebrities locais estão, todas elas - desde Catarinas Furtado, Bárbaras Guimarães, Fernandas Serrano, etc, etc - à espera de mais um rebento. E muitas mulheres anónimas portuguesas parecem seguir o mesmo caminho.

Comprova-o o evento do último fim de semana realizado em Oeiras, onde se reuniram mais de um milhar de grávidas para celebrar o seu estado, apelar à natalidade e simultaneamente conquistar um record do Guiness.
By the way, há algum evento em Portugal que seja realizado sem o objectivo de entrarmos no livro dos recordes?! Já merecíamos o título de "povo com a maior capacidade de ensoberbecimento"..!!... ...

Adiante.
Poder-sé-á dizer que, nos últimos anos, assiste-se ao inverter da visão sobre a maternidade. Hoje, as grávidas exibem orgulhosamente as suas barrigas e mais tarde, os seus rebentos, sem o acanhamento de outrora. Se antes as mulheres receavam este estado pelas consequências irreversíveis nas suas vidas - ao nível de responsabilidades, de noites em claro, de discriminações no trabalho, de desfalque financeiro, de mudanças no físico, etc, etc... - actualmente parecem olhar menos para os seus umbigos no que respeita a esta matéria.

Confesso que esta minha avaliação sociológica ocorreu depois da leitura de uma revista dita cor-de-rosa, na qual pude constatar que as vip estão todas em sintonia no que toca à maternidade. Não só as portuguesas supracitadas, mas muitas outras lá por fora...

A maternidade está em voga - e as formas de obter-la também. A adopção, por exemplo, é cada vez mais bem vista por parte de muitas mulheres por esse mundo fora, após as mediáticas atitudes de Madonna, Angelina Jolie e outras que tais...
Visto pelo lado positivo, finalmente as mulheres assumem o seu lado maternal sem receios e preconceitos, e para isso muito contribuíram as mudanças de atitude das mulheres famosas.

Definitivamente, está na moda as barrigas proeminentes, o cor de rosa e azul bébé por todo o lado, os lacinhos e as fitinhas, e por fim, os pequenos reguilas.
Mas o tal 'estado de graça' tem muito que se lhe diga: não é só a gravidez, mas depois o parto, o pós-parto, os primeiros meses, os meses seguintes...
É por estas e por outras que... ser tia tem muito mais encanto!!

Sábado, Junho 23, 2007

Agre&Doce [de cara lavada]

Está aí o Verão.
Pelo menos, é o que estipula o calendário das estações...
E foi precisamente a estação das cores e da vivacidade que me levou a 'operar' uma mudança aqui no blog.
Uma intervençãozinha apenas ao nível da palete de cores, porque o conteúdo... esse promete manter-se na mesma linha..!

Quinta-feira, Junho 21, 2007

Sperare


"
Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos.

O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida.

Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras.

Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.

"

[ Nuno Júdice]

Domingo, Junho 17, 2007

Crónica de um Domingo a Preto e Branco


O fim de semana foi literalmente arruinado pelo cinza que cobriu o meu céu e a chuva inoportuna e desfasada que teimou em cair.

Contudo, apesar desta partida infeliz do São Pedro em meados de Junho, o meu fim de semana já se antevia cinzento.

Em época de exames não há distinção entre dias úteis e os demais, e o estudo (ou a tentativa dele…) é a palavra de ordem. Pelo que nem um sol escaldante, nem um céu azul, me teriam libertado nestes dois dias.

Talvez este tempo pardacento e esta melancolia que paira no ar até tenham sido favoráveis ao estudo, sem permitir as divagações que o bom tempo despoleta.

Mas não é só pela meteorologia e pelo intensivo estudo que hoje o dia está particularmente cinzento.

Domingo é sinónimo, regra geral, de almoço de família, de brincar com a pequena Inês, de descontrair numa qualquer esplanada, de pôr leituras em dia, de passear a Luana e claro, de planear a semana.

Estes são os meus rituais de Domingo, mas hoje a maioria deles não se cumprirá.

Hoje, a única ‘esperança’ será alternar o estudo com o “mapling”, ritual que, aliado ao “zapping”, também muito prezo.

Entre a teoria da conditio sine qua non e a cláusula da extensão da punibilidade, devoro um episódio de Prison Break e um do “Shark”.
Bendita “Fox”!
E devoro também uma tablete de chocolate, confesso.

Assimilo mais umas quantas teorias cuja proficuidade está longe de se revelar e aguardo ansiosamente, como de costume, pela missa dominical do Prof. Marcelo, administrada logo após o jantar.

E se não tivessem tido a péssima ideia de ir de férias, os Gatos pra lá de fedorentos animariam o meu fim de noite. Já é da praxe soltar umas saudáveis e ininterruptas gargalhadas na recta final do fim de semana, graças àqueles quatro tipos que, logo hoje…, resolveram ausentar-se!

Resta-me consolo com a excelente série da RTP1, “Conta-me como foi” – um retrato da sociedade portuguesa em tempos de ditadura, que consegue, de uma forma incrivelmente bem-humorada, dar uma ideia desses tempos aos que, como eu, não os vivenciaram.

Conclusão: o melhor remédio para combater este tédio dominical é alternar o inevitável estudo com o tentador comando da tv.
Não é um 'escape' muito recomendável em época de exames, bem sei.
Mas a caixinha mágica é a única forma de imprimir algum colorido a este domingo a preto e branco.

Sábado, Junho 16, 2007

You're my Saturday

Walk out into velvet

Nothing more to say

You're my favourite moment

You're my Saturday

Cos you're my Number 1

Quinta-feira, Junho 14, 2007

As "Atalantas" do séc. XXI

Já ouviram falar desta nova geração de mulheres?
A expressão é baseada na história de Atalanta, uma semi-deusa grega cuja lenda é hoje um modelo personificado por tantas mulheres por esse mundo fora.

Atalanta era uma mulher guerreira, intrépida e focada nos seus objectivos, razão pela qual afastava a ideia de se dedicar a um amor.
Contudo, era de tal maneira cortejada pelos homens que acabou por estabelecer uma competição com seus pretendentes: quem a vencesse nas corridas, nas quais era imbatível, teria o direito de desposá-la. Aos derrotados caberia, por sua vez, a morte.
Apesar do risco, muitos se apresentaram, e como nenhum a venceu, morreram todos. E Atalanta manteve assim a sua inestimável liberdade.

As mulheres de hoje não buscam a tragédia da mitologia, mas proliferam aquelas que teimam em perpertuar a atitude e a determinação de Atalanta.
As “Atalantas” do século XXI são as cada vez mais mulheres modernas, emancipadas, independentes, multifacetadas e ousadas q.b.
Mulheres que fogem, por opção própria, do mimetismo social assente no “estudar, trabalhar, casar e ter filhos”, com os timings determinados pela sociedade standard em que vivemos. Mulheres que não precisam de um casamento para dar sentido à própria existência, que estimam a sua liberdade e que escolhem o seu rumo por livre e espontânea vontade.

Não quer isto dizer que, à imagem dos pretendentes de Atalanta, os homens de hoje estejam “condenados”.
Mas as super-mulheres, as super-profissionais, as super-esposas e as super-amantes contemporâneas, procuram viver a sua vida intensamente, sem preocupações com a imagem estereotipada do papel e desempenho da Mulher na sociedade. Gerem os seus próprios tempos, determinam as suas prioridades, estabelecem as sua próprias metas, sem se preocuparem com o que a sociedade convenciona. Prezam a individualidade e o sucesso profissional.
E tudo isto, sem perder a identidade feminina.

As ”Atalantas” pós-modernas estão aí… e vão revolucionar o panorama social com a impetuosidade e carisma que as caracterizam, não tenham dúvida..!

Quarta-feira, Junho 06, 2007


lembra-te dos sonhos em que voaste.
dos momentos em que fechaste os olhos e flutuaste ou quando simplesmente cortas o vento, em corrida ou pensamento.
é a inspiração, realidade ou imaginação que provoca a sensação.
a capacidade de voar está no sentir e no pensar.

está na beleza, na natureza, no que se ouve, no que se sente.

na liberdade, na criatividade, no frio ou no quente.

procura, no pontão voador, o crepitar de sonhos, o despertar de novos voos.
inspira-te nas formas, nas cores, no rio e no luar.
deixa-te levitar.


[foto by Pedro Libório _ texto de autor desconhecido]

Segunda-feira, Junho 04, 2007

[a minha] Terra de Paixão

"
Alcobaça é uma cidade especial, pela simpatia das pessoas, pela boa energia que paira no ar e por ser bastante pequenina e muito bonita. Agora que a praça do Mosteiro de Santa Maria está a ficar toda catita, começa a ganhar nova vida (...) A praça do Mosteiro de cara lavada e envolvente melhorada. E que melhoria!
" in Blue Living



"Se for fim-de-semana e lhe apetecer dar as boas-vindas à Primavera com uma saída nocturna, aproveite para ficar por Alcobaça, senhora de ambiente nocturno surpreendente, com muitos bares, boa música e gente diversificada, nada habitual em cidades tão pequenas." in Rotas&Destinos, Abril 2007




Voilá, duas leituras despreconceituosas sobre Alcobaça, assumidamente "terra de paixão", em virtude da sua ligação à história de Pedro e Inês, um amor intenso e trágico que marca ainda o nosso imaginário colectivo.

Para os que teimam em dizer que na "santa terrinha" a monotonia é uma constante... a imprensa nacional (de indubitável qualidade) vem assim contrariar essa visão tacanha de que alguns padecem.
Que os de fora nos vejam com bons olhos é muito positivo. Mas mais importante é que os próprios alcobacenses reconheçam o seu património, o seu valor, e se deixem envaidecer com a cidade de Cister.

Goste-se mais ou goste-se menos, é facto assente que a requalificação da zona envolvente do Mosteiro de Santa Maria trouxe um novo fôlego à cidade. E o ex-libris da minha cidade, quiçá em breve reconhecido como uma das Sete Maravilhas de Portugal, está agora (ainda) mais imponente.

Com efeito, e tal como outrora, o Mosteiro e a sua envolvente são o coração que faz mover todo o resto da cidade. O bulício saudável que se vive agora é de valor inestimável e a julgar pela imprensa supracitada, esse valor está a ser reconhecido pelos "forasteiros" que se aventuram a perder por estes lados.

Somos pequeninos, é certo. Mas já dizia Alberto Caeiro que
"a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer / Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não, do tamanho da minha altura... "

[fotos by Pedro Libório]

Sábado, Junho 02, 2007

Recomenda-se


Recomenda-se.
Mas tem 'prazo de validade': hoje e amanhã são as últimas duas actuações no D. Maria.
Um elenco de luxo e um texto que tem tanto de brilhante como de oportuno.
Uma metáfora da sociedade que nos suga e expele com uma facilidade incontrolável.
Um espelho do que ambicionamos ser e do que não conseguimos reconhecer que somos.

(...)

"Só quero ser feliz.
Onde é que isso fica?!
Num labirinto sem limites de velocidade. Aceleras comigo até lá?
"
(...)