Quarta-feira, Maio 30, 2007


"E cada um acredita, facilmente, no que teme e no que deseja"
[La Fontaine]

foto by pedro libório

Terça-feira, Maio 29, 2007

Rebelo Pinto para crianças

Margarida Rebelo Pinto vai lançar mais um livro.
O facto, vindo de uma campeã de vendas, não é de espantar.
Mas "A rapariga que perdeu o coração" é um livro infantil.
...
Pergunto-me sobre que irá o livro versar? ...
As futilidades do costume?
Os pseudo-relacionamentos típicos da escrita de Rebelo Pinto?
Do status quo, das idas ao spa ou do shopping em Milão?
Dos clichés a que já nos habituou? ...
Pobres criancinhas.
...
De uma coisa, parece não haver dúvida:
É desta que os críticos literários portugueses arrasam o seu maior ódio de estimação - a pioneira da literatura light.

Segunda-feira, Maio 28, 2007

Ao meu tio...

[natureza morta, o incontornável mote para
as pinceladas de José Pedro Januário; óleo sobre tela, Joanesburgo, 1999 ]

... um saudoso e último ADEUS.
E a devida homenagem a um homem de uma imensa cultura, de uma invejável coragem, de uma força de vontade ilimitada, e de um humor negro nem sempre apreciado, mas muito requintado.
A um artista na tela e no pincel, na caneta e no papel, e até nos céus...
A um tio que esteve longe, mas sempre (e para sempre) presente nas minhas memórias.

Sábado, Maio 26, 2007

Para afogar as mágoas...

... uma vez que perdi o concerto do ano.
Dave Matthews Band.
Ei-la:

Quarta-feira, Maio 23, 2007

A despedida do Prof. Freitas


Freitas do Amaral disse ontem adeus à docência, numa aula sobre a evolução do direito administrativo proferida na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

Entre os alunos contavam-se José Sócrates e outros ilustres convidados, bem como ex-alunos do professor.
Também eu tive a oportunidade de o ter como professor no meu primeiro ano de licenciatura.
A figura já na altura me era aprazível. E enquanto professor, o meu juízo sobre ele pouco mudou.
A sua cortesia e receptividade são evidentes, pelo que a relação aluno-professor era exímia.

Aliás, a Faculdade de Direito da Nova, da qual o Prof. Freitas foi fundador e director, tinha nele o melhor exemplo de como deve ser a docência universitária no século XXI - pautada pela saudável e conveniente proximidade do aluno ao professor. Afastar a ideia dos professores universitários no pedestal inalcançável, típica das 'clássicas' faculdades de Direito e sinónimo de docência obsoleta... foi uma das maiores conquistas da FDUNL.
Com efeito, e com o acréscimo de ser uma personalidade que me é relativamente próxima pelo acima descrito, a imagem que tenho de Freitas é mais que positiva.

Contudo, confesso que algumas dúvidas me assaltaram aquando das suas oscilações políticas nos últimos tempos, que não me pareceram as mais sensatas...
Como é óbvio, estou longe de ter legitimidade para criticar a sua actuação, mas não deixa de ser verdade que a sua postura inconstante lhe "apagou" algum do protagonismo que lhe era favorável.

Ontem, abrilhantou a sua última aula com a excelência que lhe é característica, e confirmou a sua notoriedade enquanto professor, jurista, político e diplomata.
Ainda assim, deixou cair a nódoa no pano com a dispensável deixa do "espiritualmente, ainda me sinto membro do governo"...

Terça-feira, Maio 22, 2007

Bem haja, Sr. Henrique!

Nesta tarde cinzenta e chuvosa, factores tão apelativos ao caos rodoviário... eis que o Sr. Azar me bate à porta quando estou prestes a entrar na 2a Circular. Tratou-se do meu primeiro incidente rodoviário por Lisboa, mas... "do mal o menos".
Não, não foi a bateria, nem a bomba de água, nem a falta de óleo... foi mesmo a falta de gasóleo!! Bahhh
Não ousem chamar-me nomes tipo "desnaturada", "irresponsável", "tótó" ou coisas do género.
O azar deveu-se somente ao maravilhoso e eficaz indicador de combustível que o 'boguinhas' tem, que é pra lá de enganador ...
Conclusão: fiquei literalmente apeada numa das caóticas entradas da agradabilíssima 2a Circular.
Felizmente, o meu salvador não tardou.
No meio de várias buzinadelas lá me caiu do céu o Sr. Henrique.
Lisboeta simpático, (raridade...) que amavelmente se disponibilizou para ajudar uma pobre jovem à beira de um ataque de nervos.
A ele... aqui fica o devido agradecimento público!
Porque não há por aí muitos Srs. Henriques.
Muito menos em Lisboa, na 2a Circular, numa caótica tarde de 3a feira...

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Música com Sentido [Interventivo]

No sábado ‘perdi’ o Creamfields.
Pelo menos ao vivo, pois assisti via SIC Radical a uma parte do evento. A música em português começou com os sempre surpreendentes Expensive Soul & The Jaguar Band, que já tive oportunidade de ver ao vivo, e que animaram o fim de tarde no parque da Bela Vista.
Depois seguiram-se os reconhecidos Da Weasel. E é precisamente sobre estes que quero falar. Têm catorze anos de carreira e um merecido lugar ao sol no panorama musical português. Não são propriamente o estilo de música que ouço com frequência, mas é impossível ser imune a alguns dos temas da “banda da doninha”. “Toda a gente” é um tema que já tem uns bons anos, mas que pela sua crítica social, vale sempre a pena recordar.

"
Toda a gente critica o telemóvel do vizinho
Mas no fundo toda a gente queria ter um igualzinho
Toda a gente grita: todos diferentes todos iguais!
Mas se calhar há uns quantos bacanos a mais
Toda a gente quer ser solidária
Mas na hora da verdade toda a gente desaparece da área
Toda a gente quer ser muito moderna
Mas a tacanhez essa há-de ser eterna
(...)
Toda a gente critica
Toda a gente tem muita pica,
Mas é na mesa do café que toda a acção fica
(...)
Há quem costume falar de revolução

Mas a revolução não vai ser transmitida na televisão
Ela tem que acontecer dentro de cada um
Caso contrário nunca chegaremos a lugar algum
Há quem queira resolver os problemas do mundo inteiro
De uma só vez, confiante, tal e qual um bom escuteiro
Mas enquanto se perseguem tão nobres ideais
Esquecemo-nos de limpar os nossos quintais
Tentamos combater todos os males da Terra
Quando afinal é na nossa casa que começa a guerra...
"

Passar mensagens a partir da música é algo que não é novo, bem sei.
Mas este aproveitar da música para passar mensagens de cariz social e até político, cada vez mais se estende a várias ondas musicais – parece assim que deixou de ser bandeira do rap, que é exemplar em música dita interventiva.

Pese embora a linguagem hard de Pacman, no passado sábado, mais do que nunca, os Da Weasel pautaram o seu concerto por variadas mensagens dirigidas a um público que se adivinhava jovem.
A palavra PAZ soou inúmeras vezes na voz de Pacman.
Mas não se ficaram por aí.
A mensagem mais politizada passou por uma espécie de ‘ultimato’ aos militantes e simpatizantes do PNR.
Depois, a chamada de atenção para a campanha contra o HIV, apelando a uma sexualidade consciente, particularmente lembrando a utilização de preservativo.
Por fim, o apelo a uma revolução pessoal, para que, (citando Pacman) “depois de ‘arrumada a nossa casa’ se possa participar noutras revoluções”.

A música já traz mensagem, mas que oportuno é utilizar o palco para alertar, apelar e informar o público, especialmente quando ele é essencialmente jovem e inconsciente qb.
Com efeito, NOTA 10 para a “Doninha Fedorenta” – que para além de nos brindar com boa música, brinda-nos ainda com uma atitude interventiva, crítica qb, e por isso, louvável.

Quinta-feira, Maio 17, 2007

Benfiquista de coração... Sevillista por adopção!

Vermelho e branco, sempre.
Do Benfica e também do Sevilla, do qual fiquei fã quando vivi nas redondezas do grandioso Sanchez Pizjuan...
Ontem à noite a fiesta foi mais que muita lá para os lados da Andaluzia...
Em Glasgow o Sevilla FC repetiu o feito do ano passado e arrecadou mais uma vez a Taça UEFA.
Agora resta a Taça do Rei e a Liga Espanhola, cuja luta pela liderança está mais que renhida
Há um ano foi assim...

Terça-feira, Maio 15, 2007


"Cada dia tem uma história, cada história uma data, e cada sonho tem um par de asas para voar no céu das casas quando a noite já vai alta... "

[foto by Carla Salgueiro em olhares.com]

Segunda-feira, Maio 14, 2007

O valor da amizade... [e o valor dos trajes de gala...]

Que bom é ter amigos.
Diz-se que são aqueles em quem podemos realmente confiar.
Será mesmo assim?...

Eu confiei à Sofia – para quem desconhece, a inestimável amiga com quem tenho o privilégio de partilhar casa – a minha roupa.
Foi um pedido simples – “está roupa na máquina, é só juntares o que queres até que encha e depois pôr a lavar sff”.
Mas a Sofia achou que juntar os mil e uns panos do pó cá de casa ao meu precioso vestido de noite e às minhas calças de cetim seria uma excelente ideia…
Bonito serviço, menina Sofia!

O que será que a próxima máquina a lavar me reserva?!
Hum… Uma mistura de top´s e tshirt´s com o tapete da casa de banho?
Ou será que vais pôr a centrifugar a 90º a minha roupa interior?
Aguardo com curiosidade…

Desabafos à parte, a minha quase-empregada-e-responsável-de-copa-cá-de-casa até é uma menina querida e bem 'adestrada'.
Mas sobretudo, uma excelente companheira, colega e AMIGA. Em quem posso, indubitavelmente, confiar.

Hoje estou tão lamechas… não estou?
Deve ser porque ainda não recuperei do desgosto da minha roupa de gala ter andando a centrifugar com trapos cheios de ácaros e a tresandar a “Pronto”…

Sexta-feira, Maio 11, 2007

IndieLisboa@Alcobaça

Este fim de semana, e à semelhança do que já aconteceu há uns tempos com o DocLisboa, o Cine Teatro de Alcobaça acolhe uma extensão do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente. A ideia é descentralizar este festival da capital e torná-lo acessível a outros públicos geograficamente menos privilegiados.
Trazer até Alcobaça alguns dos filmes exibidos na última edição do festival que decorreu no mês passado é uma aposta que à partida já parece ganha. Resta esperar que o público da região adira a esta iniciativa e rume ao Cine Teatro da cidade para visionar alguns dos melhores filmes e documentários que passaram e foram premiados no último Indie.

Veja a Programação aqui.

Domingo, Maio 06, 2007

a melodia que marcou este domingo....

Sábado, Maio 05, 2007

A Blogosfera Alcobacense desce à cidade...

... já daqui a uma semana.
A ideia partiu do sempre enérgico e atento José Alberto Vasco, que resolveu juntar uma mão cheia de bloggers que têm, pelo menos, um ponto de ligação entre si - Alcobaça, a nossa terra de paixão.
A Escola Adães Bermudes, excelente infra-estutura, vai acolher já no próximo dia 12 esta iniciativa.
Debater este fenómeno social que é a blogosfera, trocar ideias, desafiar à criação de novos blogs e desvendar os rostos que estão por detrás de alguns dos blogs mais carismáticos da região, são mais do que bons argumentos para levar a cabo esta iniciativa.
Os "treinos" começaram hoje mesmo com o programa de rádio "Publicamente" na Cister FM, conduzido pela hospitaleira Piedade Neto.
E pelo programa... antevê-se uma tarde interessante no próximo sábado!
O "bónus" foi a revelação do conhecidíssimo blogger "Alcobacense", cuja identidade há muito era questionada! ;)
Foi uma hora de emissão que passou num instantinho... bem gostaríamos de poder debater esta temática por mais tempo...
No próximo sábado... lá estarei, lá estaremos!

Quinta-feira, Maio 03, 2007

O Sagrado Consumismo Dominical

Surgiu hoje a notícia de que a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) pretende ver revogada a lei actualmente em vigor, que decreta o encerramento das grandes superfícies comerciais aos domingos e feriados.

Os argumentos são os de que esta inversão da medida criaria mais postos de trabalho e revitalizaria a economia.
Sem desprimor para estes dois argumentos, a verdade é que eu não assinarei os abaixo assinados que vão circular por aí e muito menos erguerei a minha voz por esta "causa".
Aliás, desde já torno público que quando a contestada lei entrou em vigor, eu muito me regozijei!

Se havia coisa que abominava eram as romarias dominicais aos hipermercados, mais concorridas que a missa na Paróquia mais próxima..!
As procissões de famílias, as filas à entrada e saída dos antros de consumismo, os desacatos nos parques de estacionamento, os atropelamentos com os carrinhos de compras, as disputas pelo último pack de iogurtes em promoção, as gritarias das crianças face ao bombardeamento consumista, os bocejos e as reclamações na hora da concorrida fila da caixa…

O constante frenesim dos supermercados já é digerível durante toda a semana, agora domingos e feriados também?!
Quem é que tem saudade disto?! Eu não… … …!!!!!

O consumismo desenfreado que ataca as famílias portuguesas aos domingos é um dos sintomas mais graves da nossa paupérrima cultura intelectual, da nossa imensurável superficialidade, do nosso incurável materialismo e da nossa escassa civilidade.

Se os portugueses aproveitassem os domingos e feriados para coisas tão mais úteis…
Conhecer o país, por exemplo.

Quantos não se gabam de ter estado numa Polinésia Francesa ou numa (mais modesta) Ibiza, mas desconhecem o nosso inestimável Gerês, a costa alentejana, ou até mesmo o Interior do país, que, ainda que votado ao esquecimento, consegue manter-se esbelto e convidativo?

Ou porque não aproveitar esses dias para estar verdadeiramente com a família?
Não, não é subornar os miúdos com umas gulodices e meia dúzia de brinquedos de supermercado… É estar com eles, dedicar-lhes tempo e dar-lhes verdadeiro afecto.

Até ficar em casa a vegetar num domingo é mais positivo que calcorrear corredores de hipermercados. Dormitar no sofá é mais relaxante, pôr leituras em dia é mais produtivo, cozinhar ou jardinar é mais terapêutico...

Eu sei lá... Há um sem número de coisas mais úteis para se fazer nestes dias que se supõem de descanso.

Mas se o consumo é assim tão imperativo nestes dias, ao menos que se deleitem como o consumo de cultura! Este sim, recomenda-se..!

O "problema" é que nós, portugueses, somos gente muito activa...
Até aos domingos e feriados temos uma imperiosa necessidade de ir queimar calorias na maratona dos hipermercados.
Precisamos de encher carrinhos de compras e de contrair empréstimos para adquirir aquele plasma que o vizinho do lado já tem.
Os chefes de família precisam de ir calar as mulheres com aquele robot de cozinha que elas ingenuamente pensam que as substitui.
E claro, aproveitar para folhear a Maxmen ou a Cosmopolitan na interminável fila das caixas.
Sim, porque há que aproveitar o tempo.
E 'tempo é dinheiro'.
Especialmente aos domingos e feriados...!