Domingo, Novembro 26, 2006

Em jeito de homenagem...

"
lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
"
Mário Cesariny (1923-2006)

Sábado, Novembro 25, 2006

Porque hoje...

assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, deixei aqui um post para reflectirmos sobre esta problemática.

Para nos inteirarmos desta realidade que muitas vezes fingimos desconhecer.

Para lembrar que há pequenas formas de nos podermos mobilizar contra esta que é das mais vastas e persistentes violações de Direitos Humanos.

Recomendo também esta leitura.

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Melancolia Sazonal



A chuva lá fora, num compasso descompassado.
O vento cúmplice desta manhã outonal.
Abominar as nuvens que teimam em reprimir os raios de Sol.
As nuvens que nos outorgam a sua cor cinzenta....
... e que nos roubam luz, energia e ânimo.
Trago a Primavera no pensamento (dá algum alento...)
É sempre assim, no Outono...
Foto by Pedro Libório

Domingo, Novembro 12, 2006

Uma noite para comemorar




Mesmo longe da minha cidade, não deixo que me passe ao lado o que por lá vai acontecendo. Tarefa que hoje em dia se torna fácil, quando um simples click por estes ‘lados’ me pode pôr a par do que se vai passando por terras de Cister!

Para os ‘de fora’ ou simplesmente para os mais ‘distraídos’... lembro que esta noite, a minha cidade tem dois excelentes motivos para comemorar:

O aniversário do Cine Teatro de Alcobaça, dois anos depois da sua reabertura e ainda o regresso a esta sala de quatro embaixadores da música nacional – os alcobacences The Gift.

Um duplo motivo para comemorar: o ansiado regresso da banda que acaba de lançar o disco e dvd intitulado “Fácil de Entender” àquela que é a sala de espectáculos de referência do distrito de Leiria.
Uma sala que perfaz agora dois anos de "cara lavada", cujo palco já foi pisado por Michael Nyman, Lloyd Cole, Maria João e Mário Laginha, Abrunhosa, Mafalda Veiga, Carlos do Carmo, entre tantos outros prestigiados nomes... confirmando a excelente e sensata programação que tem o CTA desde que foi renovado.

Aliás, Alcobaça tem, indiscutivelmente, uma forte relação com as artes. E tem mostrado, ao longo do tempo, que é terra fértil neste campo. Os exemplos são infindáveis: os veteranos The Gift (já com doze anos, quem diria..!?), os promissores Loto – que acabam de lançar “Beat Riot”, o som inovador dos Ianasonic e ainda os novatos Spartak!. Já para não falar do contratenor Luís Peças, de Samuel Jerónimo... e perdoem-me se me escapou ‘alguém’. E isto, só no que toca a Música!

Já muito escrevi sobre esta Alcobaça culturalmente próspera, que alguns teimam em menosprezar. (Ver p. ex.: Artigo Opinião da Edição 59 - 3 Janeiro 2006)

Mas para os que ainda têm duvidas quanto ao supracitado, um só conselho: hoje, 22h, Grande Auditório do Cine Teatro de Alcobaça.

Quarta-feira, Novembro 08, 2006

A Feira das Vaidades

Por estes dias outonais, para os lados do Ribatejo, há um lugar de ‘culto’, cuja peregrinação tem quase mais ‘crentes’ que Fátima...
Falo da anual Feira do Cavalo, mais conhecida como a Feira da Golegã, que transforma, por uma quinzena, esta pequena vila ribatejana numa verdadeira “capital nacional do Cavalo”.

Esta feira secular, que junta milhares de pessoas no Verão de S.Martinho, (este ano S.Pedro não parece estar a ‘ajudar’ muito...)
tem como finalidade dar a conhecer e a apreciar a arte e a beleza do mundo equestre.

Porém, nos últimos anos, a mais famosa e típica feira nacional parece estar a sofrer uma certa descaracterização.
É que é cada vez mais encarada como um evento 'imperdível', não pelo encanto que o “cavalo e afins” gera, mas por razões ‘ligeiramente’ mais fúteis.

É inegável.
A romaria à Golegã tem, para muitos dos seus visitantes, apenas um objectivo: mostrar os fatos de montar à antiga ou andar de esporas (quando nunca na vida montaram um cavalo...) ou pior que esses, os (sub)urbanos que orgulhosamente desfilam na passerelle, mas que nunca na vida viram um exemplar deste animal e ao invés de aproveitarem para apreciar o certame, ficam-se pelos ‘comes e bebes’ e voltam para casa na mesma ignorância...

Mais recentemente, a nova ‘estirpe’ de visitantes são os sub-18 que descentralizam por uns dias as suas saídas nocturnas. Cativados pelo álcool barato e pelas disco’s improvisadas até o sol nascer, é vê-los aos magotes a dar cabo do que resta do fígado. A irresponsabilidade e a futilidade é por conta deles, pois claro.
Mas não posso deixar de expressar o quanto me desapontam estas novas gerações sem um pingo de determinação...
Estão ali porque ‘toda a gente’ está ali. O resto, ‘que se dane’...

E com isto, lá se vai o verdadeiro encanto da Feira da Golegã...
Os cavalos e os cavaleiros a passear na manga, as corridas, o horseball, o cheiro a castanha assada, o concurso de água pé, o sabor do caldo verde, a salutar animação... enfim, lá se vai a tradição.

Quanto a mim, por um vasto leque de razões (entre as quais não me encontrar por terras lusas...), não marcarei presença nesta edição das Feira das Vaidades.
Aliás, só estive nesta feira duas vezes na vida – “que ESCÂNDALO!!”, pensarão alguns .
E não, não tenho uma quinta no Ribatejo, nem nunca tive um cavalo... – “que DESPAUTÉRIO!!” voltarão alguns a pensar.
Pronto, já montei a cavalo... – “menos mal...”

Conclusão, quanto ao que me toca, apesar de apreciar bastante o animal, não sou apaixonada o suficiente para achar que tenha que frequentar este certame ano após ano.
E recuso-me a marcar presença apenas porque ‘está na moda’...
É claro que ao não comparecer a este ‘acontecimento’ sujeito-me a uma grave penalização no meu status...
Mas, tal como os adolescentes... exclamarei um: “que se dane!!”

Sábado, Novembro 04, 2006

afternoon

S.Martinho do Porto by Pedro Libório

"
(...)
Eu amo a tarde
O final da tarde

As coisas ficam mais soltas
Os sorrisos mais altos
As cores das coisas ficam
As coisas ficam mais outras
Soltas no final da tarde

Os beijos ficam mais húmidos
Os lápis mais rápidos
As telhas mais frias, o fim se inicia
(...)
As dores ficam mais mornas
E os amores mais mais mais absolutos
No final da tarde eu amo a tarde
(...)

E as palavras de dentro ficam fora
E o centro onde eu moro vira norte
E as almas das pessoas ficam nuas
(...)

No final da tarde eu amo a tarde
As coisas ficam mais soltas
Os sorrisos mais altos
As cores das coisas
Ficam soltas…

"

... da diva Ive Mendes/álbum 2002

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Estranha forma de vida?

















Numa destas tardes solarengas, perdida pela cidade...
descobri estas "personagens".

Jose, Lyndon e o rafeiro Nemo.

Conversei um pouco com eles, não resisti a registar o momento (é claro que perante a minha simpatia, decidiram fazer-me um desconto no preço da foto... lol) e lá deixei uns trocos junto ao cartaz que me pareceu mais sensato, intitulado: "Para un iPod".

Trataram de me dar um flyer com a morada do espacinho que têm na net www.LazyBeggers.com
o qual fui visitar mal cheguei a casa, tal era a curiosidade!

À partida, quando nos cruzamos com pessoas como o Jose e o Lyndon, não fazemos a menor ideia dos motivos que os levaram a estar ali...
Não raras vezes opinamos, criticamos, questionamos.
Mas continuamos a desconhecer a sua realidade, as cirscuntâncias e tudo o mais.
Por isso, a primeira coisa que fui 'cuscar' foi a biografia de cada um deles (a do Nemo inclusive).

Descobri que são ambos licenciados...! Um em Psicologia, o outro deduzo que em Eng. Informática.
Descobri que estão ali porque querem, porque gostam, porque se fartaram do quotidiano entediante que tinham, porque dizem que é assim que gostam de gozar a vida.
Dizem disfrutar mais desta forma de viver do que todas as outras que já tiveram.

Dizem ser uma nova "geração de mendigos": juntando a sua sinceridade (nos cartazes em que pedem dinheiro indicam o seu destino: whisky, vinho, ressaca, marijuana ou até mesmo um iPOD!) ao seu sempre presente sorriso, conseguem obter o suficiente para ir vivendo o dia-a-dia sem as preocupações "mundanas".

Estranha forma de vida? Talvez não...

Estes curiosos mendigos levantam a eterna dúvida existencial de todo e qualquer ser humano: até que ponto o empregozinho, o apartamento no condomínio xpto, o bólide na garagem e a conta bancária nos tornam (mais) felizes?!

Eu encontrei estes dois pedintes na rua, a conviver com os transeuntes, a brincar com o rafeiro feliz, a beber a sua cervejinha descontraídamente, a ponderar se dormiam em casa do amigo A ou B, a planear o próximo destino como se de umas férias se tratasse... e o que mais me impressionou foi isso: estavam felizes.

Fica aqui o seu lema: "Somos sinceros e fazemos sorrir. Que mais nos podes pedir?!"