Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Pés, para que vos quero?

Não certamente para sofrer. São a base do nosso corpo, aquilo que nos sustenta, responsáveis pelo nosso equilíbrio. É claro que servem também para exibir os sapatos que nos arrebatam o coração (e a carteira), mas a vaidade e os centímetros a mais não deviam sacrificar a saúde. Porém, celebridades como Kim Kardashian ou Julianne Moore apresentaram-se esta semana com pés de fugir! 

A primeira, grávida e certamente a sofrer de efeitos colaterais, não prescindiu de uns Givenchy acabadinhos de sair  - e lindos, embora aqui não pareçam! - e saiu à rua nesta figura:


É certo e sabido que do clã Kardashian não se pode esperar bom senso, mas isto é assustador. Não é propriamente pelo salto alto - cada grávida sua sentença -, mas pelo modelo escolhido que tem tudo o que uma grávida nestas condições não pode usar: elástico, plástico e um resultado drástico! 


Já Julianne Moore, em Cannes, apresentou um visual cuidado da cabeça aos... tornozelos. É que os pés estragaram tudo. Não sei se foi o tamanho errado, se um modelo inadequado aos seus pés, com tiras que espartilharam os seus dedos... mas certo é que o resultado foi macabro. 

Esta imagem fez-me lembrar um  - não menos macabro - artigo que li há uns tempos, dando conta de uma nova moda cirúrgica em torno dos pés. Sim, há quem encurte dedos ou ampute o mindinho para calçar sapatos! Digamos que não é necessário tanto... 

Em suma, é bom meditar nesta coisa de pés e, sobretudo, aprender com os erros dos outros! Em nome da elegância cometemos muitas vezes disparates. Eu já usei, em tempos, sapatos desadequados ao meu pé ou que se revelaram de má qualidade e tiveram algumas consequências nos meus dedinhos, mas jurei para nunca mais. Actualmente sou muito ponderada a escolher calçado porque - definitivamente! - não quero fazer figurinhas tristes nem pôr em causa a saúde dos meus pés. 
* imagens d'aqui

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Evangelização à distância de um clique

Ontem falávamos de religião na aula (estou a recuperar o meu, há muito perdido, espanhol...) e a colega brasileira disse que assistia à missa todos os dias, logo pela manhã. Estranhei, já que para mal dos meus pecados as aulas começam às 7h30... Porém, a resposta não tardou. Vê a missa, via internet, enquanto se prepara para enfrentar mais um dia. A missa do famoso Padre Marcelo faz assim parte da sua rotina desde que mudou de país. Fiquei meio embasbacada, pois nunca me tinha ocorrido o conceito de «missa online». Mas a verdade é que a religião, se quer acompanhar as enormes mudanças da nossa sociedade e dos seus hábitos de vida, tem necessariamente que desbravar novas terras. E ao que parece, não falta quem se converta a essas novas formas e meios de comunicar e espalhar a palavra. 

bom dia com... bom humor!


Em espanhol, mas fazer rir é um dom universal. Descobri numa revista esta ilustradora fabulosa, que retrata com humor o nosso dia-a-dia e faz-nos olhar para o que nos caracteriza com muita descontracção e boa disposição. Em parte faz-me lembrar uma colecção que fez furor nos anos 90 e que preenchia as prateleiras de uma das minhas irmãs - Cathy, de Cathy Guisewhite.

No caso, Agustina Guerrero é de origem argentina mas vive em Barcelona há mais de uma década e é de lá que publica num blogue e na sua página de Facebook - Diario de una volatil - maravilhosos retratos femininos (e não só). Foi inevitável não me sentir identificada com muitos deles e foi também difícil eleger apenas alguns para partilhar aqui... Absolutamente deliciosos!!!!








*todas as imagens de Agustina Guerrero

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Um dilúvio de livros sobre tudo e sobre nada


É inevitável ficar chocada com as árvores sacrificadas à custa de títulos como este. Claro que numa época em que qualquer palerma escreve um livro, a minha estupefacção é assim como que extemporânea. É sabido que cada vez mais escreve-se sobre tudo e, sobretudo, sobre nada. 

Há, porém, algumas temáticas mais afectadas por este preocupante fenómeno, como é o caso dos denominados livros de auto-ajuda, das bíblias da etiqueta e do saber-estar e, inevitavelmente, dos manuais de dieta. Sobre estes últimos, diria que as prateleiras das lojas estão bem alimentadas de planos de emagrecimento para todos os gostos e todos os tipos de ingenuidade e desespero, com direito a soluções trágico-cómicas. Uma tristeza pegada. 

Enfim, fica aqui o desabafo desta que entende que as editoras, livrarias e bibliotecas estão a precisar de uma urgente e séria limpeza de fundo! De um verdadeiro processo de saneamento em nome do bem estar público. E também da sanidade mental dos leitores. Por sua vez, os pseudo-autores necessitam de alguém que lhes puxe as orelhas e lhes explique que escrever um livro compreende muito mais do que o próprio deleite. O livro é um bem demasiado valioso e para se banalizar à mercê de cinco minutos de fama e direitos de autor. E, convenhamos, o papel e as árvores de que dispomos merecem fins bem mais dignos... 

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Ontem foi noite de...

Anais Vivas, Centro Cultural Corp Banca 


Como é da praxe, não perdemos tempo em descobrir música venezuelana, que é muita, variada e, até ver, de qualidade! A seu tempo falarei aqui dessas descobertas, mas para começar falo-vos do concerto acústico da jovem cantora Anais Vivas a que assistimos ontem. A menina-mulher é amorosa e bonita, mas mais que isso, tem uma voz incrível, poderosa e doce! Nasceu nos Estados Unidos mas cresceu e formou-se na Venezuela, onde a sua popularidade cresceu desde que debutou com o disco Ser, em 2011. 

Ontem à noite, num concerto intimista para uma sala (na verdade, duas, já que o auditório é uma espécie de V!)  cheia de gente de todas as idades e estilos, cantou músicas do seu disco e interpretou temas vários do repertório venezuelano, acompanhada de convidados e de aproximadamente oito músicos, entre os quais uma violinista, pianista e saxofonista. Resultou tudo isto num concerto muito agradável, tendo como ponto alto a sua interpretação temas que 'roubou' a musicais como Os Miseráveis ou Wicked


No fim, e fazendo jus à sua simpatia em palco, esteve com todos os fãs e espectadores para autógrafos e fotografias. Embora não possa dizer que me tornei fã, acho que pode trilhar um caminho de sucesso no mundo da música e até do teatro musical, pois voz, talento e humildade não lhe parecem faltar. Ficamos a aguardar novo concerto, de preferência no registo mais pop a que está habituada para vermos o seu lado B.

Se tiverem curiosidade, aqui fica uma amostra do seu trabalho, que conta também com músicas em inglês. 

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Pink is Punk!

Foi preciso devorar a passadeira vermelha da gala do MET para descobrir que a cor rosa está associada ao movimento punk. Disse-o Anna Wintour, e quem somos nós para duvidar dessa guru da Moda...

Porém, a revelação deixou-me a pensar nos meus tormentosos tempos de adolescente. Agora sim, posso entender o que estava subjacente à minha obsessão por calças cor-de-rosa fúchsia e variados acessórios nesses tons. Até hoje eu associava esse distúrbio ao facto da famigerada Bershka ter chegado a Portugal quando eu tinha 12/13 anos, mas agora estou tentada a dizer que no fundo, no fundo, eu tinha uma ambição qualquer de pertencer à tribo punk. O eyeliner preto, os casacos compridos de malha preta e mais umas quantas peças juntam-se à música que ouvia - Joy Division, Nirvana, The Offspring, Green Day - e obrigam-me a concluir que afinal, apesar de parecer uma tótó-das-meias-altas, eu tinha - imagine-se! - pretensões punk!

Conclusões aparvalhadas à parte, voltemos ao MET: a exposição «Punk: Chaos to Couture» foi o mote para a inspiração das celebridades. Claro que houve quem fizesse jus ao tema e quem o ignorasse totalmente. Pior, aquelas que levaram o tema tão a sério que, mais do que punk e alta costura, lembraram o caos...! E não sendo meu costume comentar aqui as passadeiras vermelhas, não resisto a deixar aqui a minha sucinta opinião, sem mais:

CHAOS (vá, desilusões...)



e...

COUTURE!


 
todas as fotos retiradas do site Just Jared

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

encontrar Portugal cá/lá fora


Já não é a primeira vez que encontro Portugal cá fora. E sabe tão bem que roça a vaidade! Desta vez encontrei a minha pátria nas páginas de uma revista feminina venezuelana, que por sinal se chama Vanidades... Três páginas inteirinhas na secção 'Escapate' a sugerir um pulo até 'Portugal, La nueva joya de Europa'. De novo o país não tem muito, já que contamos com nove séculos de História. Porém, seja lá sob que título, é sempre bom ver o nosso país e as suas jóias na montra da imprensa estrangeira, desde que não seja a The Economist, claro... que nessa infelizmente somos abordados com demasiada frequência! Resta esperar que esta publicidade surta efeito e o tal boom turístico se verifique. Estamos bem precisados...  

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

De música e livros não parece haver escassez


Já aqui tinha escrito que em Caracas é difícil encontrar determinados produtos e que as prateleiras nos supermercados estão muitas vezes vazias, sobretudo de óleo, farinha, açúcar, arroz e papel. Não raras vezes há uma caça a esses bens como se de ouro se tratasse, com correrias aos mercados e filas de espera para cima de uma hora só para garantir os últimos rolos de papel higiénico na despensa! Enfim, aventuras a que não estávamos habituados...   

Porém, há coisas que - felizmente - parecem não escassear. Como os livros, música e a boa programação cultural. No fundo, bens essenciais que também alimentam! E como eu gosto de ler, gosto de livros (físicos, não há tablet que os bata!) e deliro com feiras do livro, posso considerar-me uma sortuda por ter tido, nos últimos dias, um enorme banquete cultural a uns 100 metros de casa: o Festival de Lectura de Chacao combinou livros com música e outras artes e um excelente programa de actividades ao longo de mais de uma semana, tendo como cenário a fantástica Plaza Altamira


Foi inevitável rumar à praça duas ou três vezes durante a semana e regressar a casa de sacos cheios. A oferta era muito variada e os preços bem simpáticos, por isso aproveitámos e comprámos livros de todos os géneros. Sobre o país, sobre a cidade, romances e ensaios de autores locais, livros gastronómicos, enfim, um pouco de tudo para preencher as estantes da nova casa e, claro, para rechear os nossos dias de deliciosos momentos de leitura. 


Este domingo foi ainda preenchido com um bom espectáculo matinal. Num Centro Cultural mesmo aqui ao lado - definitivamente moramos onde tudo parece acontecer! - assistimos a um belíssimo concerto dado por um carismático pianista, Leopoldo Betancourt, e um notável flautista, Huáscar Barradas. Uma junção de dois mundos que resulta muito bem, numa interpretação de temas que unem a música contemporânea à música clássica. Imaginem músicas de Shakira, Juanes ou Tom Jobim mescladas com Ravel, Schubert ou Brahms. Sublime. Se tiverem curiosidade, podem ouvir uma amostra aqui

*A foto do topo foi retirada d'aqui

Sábado, 4 de Maio de 2013

Caracas Muerde?


Há quem diga que Caracas morde e até quem escreva livros sobre isso. Porém, nós por cá, com quase dois meses na algibeira, ainda não fomos mordidos. Que é como quem diz: há muito ruído sobre a cidade e os seus perigos, mas não é impossível sair dela incólume se tivermos cuidados elementares e boas doses de sensibilidade e bom senso. Estamos sim, contagiados. Pelo ritmo latino, pela vida desta cidade que pulsa de forma bem diferente da Joanesburgo que nos acolheu nos últimos três anos. 

Ainda que em fase de adaptação a uma nova vida e a novos ritmos, não nos privámos de conhecer um pouco da cidade e temos aproveitado os fins de semana para passear. Usámos o metro, que é bastante mais tranquilo que durante a semana, e fomos até à zona umbilical da cidade, Praça Bolívar e arredores.


Há muito para ver por aqueles lados. Catedral e igrejas, museus e casas com História, edifícios governamentais de arquitectura variada e bem cuidada. Estátuas e monumentos históricos, praças cheias de gente e de estórias. Desta feita, percorremos sem grande orientação e minúcia estas áreas apenas para uma primeira impressão da zona e, claro, com mais tempo lá voltaremos para visitar museus e outros espaços com a atenção devida. 



A Praça Bolívar é o epicentro da cidade, não só porque foi a partir dali que o traçado urbano da então denominada Santiago de León de Caracas teve início, como por ter sido ao longo dos tempos um espaço público por excelência, ainda hoje cheio de vida. 


Em redor da praça mora a Catedral, que tem sobrevivido a terremotos desde 1665, contando com muitas intervenções desde então, o que lhe permite ter uma fachada alva e cuidada como se tivesse meia dúzia de anos.


Santa Capilla

Depois, circulando por ali, entre crianças a brincar, vendedores a apregoar e velhos resignados com a passagem do tempo a jogar dominó e sueca, descobrimos outras pérolas da arquitectura local. Como o Teatro Principal, o Teatro Ayacucho, a Basílica (Santa Capilla), o Palácio das Academias, etc.

Teatro Principal



Teatro Ayachucho

Palacio de Las Academias





Não regressámos sem visitar uma casa-museu designada Casa del Vínculo y del Retorno (foto acima), onde viveu Símon Bolívar e sua mulher no ano de 1802; e onde foi impressa a Acta da Independência em 1811. 



Por fim, um pulo à Plaza El Venezolano, nas imediações da casa onde nasceu Bolívar, do Museu Bolivariano e onde se encontra um imponente mural com uma famosa citação do Libertador, proferida na sequência de um sismo que abalou a cidade em 1812.  


Os Museus e a visita a outros edifícios circundantes terão que ficar para a próxima, com outro tempo. Sim, haverá uma próxima, pois ao longo desta área - praticamente pedonal - fomos abordados com simpatia pelas gentes e até por um agente policial destacado para dar apoio aos turistas (que, arrisco, seríamos só nós...). Isto deu-nos bastante tranquilidade e levou-nos a concluir que nem tudo o que ladra morde, uma adaptação do dito popular que - até ver - achamos que se pode aplicar à realidade de algumas zonas caraqueñas. Queremos acreditar que Caracas nem sempre muerde...  

Terça-feira, 9 de Abril de 2013

a rua a votos ::: Caracas

Chegámos à Venezuela em vésperas de campanha eleitoral e desde o primeiro momento que sentimos ser impossível ignorá-la, embora por razões óbvias nos abstenhamos de manifestar opinião política. Porém, passamos o dia a levar com ela. Não só nos meios de comunicação mas também nas ruas. A menos de uma semana do dia em que o país vai a votos, aqui fica uma amostra de como as ruas da capital reflectem este processo eleitoral pós-Chávez.